EFE
EFE

Lula compara bate-boca no STF com briga de partida de futebol

Para presidente, discussão foi só um desentendimento entre ministros e por isso não é uma crise institucional

da Redação

23 de abril de 2009 | 15h30

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta quinta-feira, 23, que o bate-boca entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o membro da Corte Joaquim Barbosa seja resultado de uma crise institucional. " A Cristina (Kirchner, presidente da Argentina) nem deve estar sabendo, ontem houve uma troca de acusações verbais entre o presidente da Suprema Corte brasileiro e outro membro, eles se desentenderam e parece que trocaram palavras duras um com o outro. Mas de longe é uma crise institucional porque dois homens divergiram. Se fosse assim, não existiria mais futebol porque tem briga em campo de futebol todo santo dia", disse durante vista à Argentina.

 

Lula defendeu a discussão se for em benefício da sociedade. " Uma única coisa que eu acho é que se esse tipo de briga- assistida por toda sociedade brasileira- ajuda a sociedade e a democracia, então tudo bem. Eu creio que quando nós temos determinadas funções é importante também que diga tudo que a gente fizer nos autos do processo e não fique dizendo pela imprensa. Mas isso é  um pensamento de um leigo, não de um magistrado", disse.  

 

Veja também:

video Íntegra da discussão e vídeo do bate-boca

linkMinistros do STF dão apoio a Gilmar Mendes após discussão

 

Segundo o presidente, o que aconteceu foi apenas um "desentendimento". "Pelo que eu vi na imprensa hoje já se acertaram, que está tudo bem. Mais uma possível crise que não era crise, que era só um desentendimento".

 

O bate-boca começou quando o STF analisava recursos em que era discutido se decisões sobre benefícios da Previdência do Paraná e sobre foro privilegiado tinham ou não efeito retroativo. Essas decisões haviam sido tomadas em sessões em que Barbosa faltou aos julgamentos - ele estava de licença. O ministro Barbosa disse que a tese de Mendes deveria ter sido exposta "em pratos limpos". Mendes respondeu: "Ela foi exposta em pratos limpos. Eu não sonego informações. Vossa Excelência me respeite", e lembrou que o ministro faltara à sessão em que o recurso começou a ser decidido.

Quando Mendes disse que o ministro não tinha "condições de dar lição a ninguém", Barbosa partiu para o ataque ao presidente do STF. "Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste País e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faz o que eu faço", afirmou Barbosa. Em seguida, depois de Mendes dizer que estava na rua, Barbosa acrescentou: "Vossa Excelência não está na rua não. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro."

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.