Lula: "Como se convoca coletiva para dizer que não tem provas, mas tem convicção?"

Ex-presidente chamou a coletiva de imprensa do Ministério Público para apresentar as denúncias contra ele de "espetáculo de pirotecnia" e afirmou que querem acabar com sua vida política

Álvaro Campos, Elizabeth Lopes e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2016 | 15h01

SÃO PAULO - Ao falar sobre a denúncia apresentada pela força-tarefa da Lava Jato contra ele, sua mulher, Marisa Letícia, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, o empreiteiro da OAS Léo Pinheiro e mais quatro pessoas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que jamais imaginou passar por essa situação. "Um parte da imprensa brasileira construiu uma inverdade, uma mentira, como se fosse um enredo de uma novela e está chegando o fim do prazo. Já cassaram a Dilma, elegeram o Temer com um golpe, e falta dar o fecho, que é acabar com a vida política do Lula porque não há explicação para o espetáculo de pirotecnia que fizeram ontem."

Na sua defesa, Lula disse que não conhece os procuradores que hoje o denunciam, aos quais chamou de "meninos", mas disse ter certeza de que respeita mais a família deles do que eles a sua. E lembrou a operação da Lava Jato, onde foi levado para depor, e na qual fizeram buscas em sua casa e na de seus filhos. "Foram à casa de um filho meu que jamais participou de nada na política, tratando-o como bandido." E disse que até seus discursos levaram: "Dessa vez pra plagiar", disse, arrancando risos dos correligionários e lideranças presentes na reunião do Diretório Nacional do PT.

Lula disse também não compreender a convocação de uma coletiva, feita ontem pela força-tarefa da Lava Jato, para falar de "convicção" e não apresentar provas. E lembrou a história do helicóptero com quase meia tonelada de cocaína, no helicóptero da família do ex-deputado estadual mineiro Gustavo Perrella, apreendido pela Polícia Federal. "Eles viram o avião, a cocaína, mas não tinham convicção", ironizou.

No pronunciamento, o petista disse que ninguém respeita a lei neste País como ele. E, chorando, disse que conquistou o direito de andar com a cabeça erguida. "Provem, provem uma corrupção minha que eu irei a pé para ser preso. Sinceramente pensei que estava em outro País." E questionou "A custa de quê todo esse espetáculo?"

E disse que se o tirarem da política, o País enfrentará muitos problemas. "Meus acusadores e parte da imprensa estão mais enrascados do que pensam que eu estava. Vocês terão problema com o golpe que deram, com a retirada dos direitos dos trabalhadores deste País, de entregar nosso pré-sal e Petrobras, a Caixa Econômica Federal, assim não precisa de governo, é só colocar um vendedor. "Governo de verdade é aquele que diz que pobre tem direito de andar de avião, de ser engenheiro, médico e até procurador."

Ele lembrou ainda que tem uma vida política neste País, de caminhada para criar o PT. "O que me faz caminhar pelo País são minhas ideias, com a convicção, senhores procuradores, de que este País pode ser melhor, que é possível mudar este País. Participei da maior inclusão social neste País, sem dar um tiro. Não consigo entender (a denúncia da Lava Jato). Sou hoje cidadão que construiu a vida comendo pão que o diabo amassou."

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