Lula: começaria de novo meu governo pelo combate à fome

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 30, em evento de celebração de 10 anos do Bolsa Família, que, caso "tivesse de voltar no tempo", "com a experiência de hoje", começaria seu governo novamente pelo programa de transferência de renda.

RICARDO DELLA COLETTA E RICARDO BRITO, Agência Estado

30 de outubro de 2013 | 13h48

"O Bolsa Família, associado a políticas de valorização do salário e o acesso ao crédito, provou que era possível acabar com a fome", disse Lula. "Essa tarefa era absolutamente necessária para construir o País que estamos construindo".

O ex-presidente afirmou ainda que o Bolsa Família, lançado em 2003, integrou milhões de pessoas antes marginalizadas e apartadas do processo social. Lula disse também que os dados apresentados pela ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, traduzem o sucesso do programa e contradizem as críticas, que, para ele, tinham motivação política também, uma vez que "o pobre não precisa mais pedir favor". "O pobre está mais livre para exercer sua cidadania, não precisa mais trocar o seu voto por feijão, por jabá, por comida."

Segundo ele, quando as pessoas começam a comer ficam mais bonitas e pegam forma. "Não tem nada mais feio do que a fome", brincou. Ainda em seu pronunciamento, ele se dirigiu aos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, presentes à cerimônia, dizendo que ele não podem se recusar a transferir recursos para os mais pobres. "Parem de regatear dinheiro para os pobres", cutucou. O programa atende hoje a 13,8 milhões de famílias e o seu custo equivale a cerca de 0,5% do PIB brasileiro

Lula lembrou que seu grupo político foi eleito para mostrar que "outro Brasil é possível". E mandou um recado à sua sucessora e afilhada política Dilma Rousseff: "Os outros (não pobres) não irão lembrar o que você fez."

Arrocho

Em seu discurso, Lula também criticou aqueles que cobraram a adoção de políticas de desemprego e arrocho salarial parar resolver os problemas do País. "Se desemprego e arrocho salarial resolvessem os problemas deste País, a gente nunca teria tido problemas até chegar ao governo. A Europa já teria resolvido seu problema", disse.

Segundo ele, o dinheiro para programas sociais não pode ser visto como gasto, mas como investimento. "O grande milagre deste país é que conseguimos combinar uma boa política macroeconômica com uma boa microeconomia."

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