André Dusek/Estadão
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Lula cobra reação e ‘volta por cima’ do PT

Em Brasília, ex-presidente cumpre agenda de governante, conversa com marqueteiro e diz a aliados que sigla precisa ‘ressurgir’ para romper cerco

Vera Rosa e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2015 | 23h35

Brasília - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta segunda-feira, 29, que a crise enfrentada pelo governo Dilma Rousseff é “preocupante” e disse que o PT precisa “ressurgir”, se quiser sobreviver ao “cerco” político. Os comentários de Lula foram feitos em reunião com deputados e senadores do PT, na noite de ontem, em Brasília.

Para o ex-presidente, falta “rumo” aos petistas porque o governo não consegue sair da defensiva, após as denúncias que bateram à porta do Palácio do Planalto com a Operação Lava Jato, da Polícia Federal. “O PT tem tudo para ressurgir com força, desde que saiba se articular com os movimentos sociais”, afirmou Lula, de acordo com relato do senador Paulo Paim (PT-RS). O petista gaúcho foi um dos três parlamentares que votaram contra as medidas do ajuste fiscal, no Senado. Para o ex-presidente, não existe saída individual para a crise. “É preciso virar a página. Vamos para o enfrentamento”, disse Lula.

Para evitar vazamentos da reunião, como o ocorrido no encontro com os religiosos, em São Paulo, quando Lula afirmou que ele e Dilma estavam “no volume morto”, o presidente do PT, Rui Falcão, pediu que todos deixassem os celulares fora da sala. 

Enquanto Lula tentava descobrir uma solução para a crise política, que se agrava a cada dia, a presidente Dilma Rousseff se encontrava com o colega norte-americano Barack Obama, em Washington.

Mercadante. À tarde, horas antes de se reunir com deputados e senadores do PT, na tentativa de dar voz de comando à bancada petista no Congresso, Lula telefonou para o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e não escondeu a preocupação com o governo. Mercadante teve o nome citado pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC e delator do esquema de corrupção na Petrobrás.

Lula sempre defendeu a saída de Mercadante da articulação política do governo. O vice-presidente Michel Temer assumiu esse papel, mas Lula e Mercadante ainda se estranham. Agora, o ex-presidente avalia que, se houver mais desdobramentos da Lava Jato, será preciso fazer mudanças na equipe de Dilma.

Pessoa disse que Mercadante recebeu R$ 250 mil “por fora” na campanha ao governo de São Paulo, em 2010. O ministro negou com veemência a acusação e contou ter recebido R$ 500 mil, em duas contribuições “legais e registradas” de R$ 250 mil cada uma. O delator também citou o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, em seu depoimento ao Ministério Público. Segundo Pessoa, a UTC repassou a Edinho – que era tesoureiro da campanha de Dilma, em 2010 – R$ 7,5 milhões, segundo a Revista Veja. Conforme revelou o estadão.com.br na sexta-feira, Pessoa diz ter repassado, via caixa 2, R$ 3,6 milhões aos ex-tesoureiros petistas José de Filippi, responsável pelas contas da campanha de Dilma em 2010, e João Vaccari Neto entre 2010 e 2014. A quantia foi doada, de acordo com Pessoa, porque Edinho teria feito uma ameaça. “O senhor quer continuar tendo contratos com a Petrobrás?”, perguntou o então tesoureiro, segundo o empreiteiro. Edinho desmente.

Na tentativa de encontrar uma solução para o momento que chamou de “dramático”, Lula também se reuniu ontem com o jornalista João Santana. Marqueteiro que ajudou a reeleger Dilma, Santana está atuando na campanha presidencial de José Manuel De La Sota, na Argentina, mas concordou em produzir o programa de TV do PT, que irá ao ar no dia 6 de agosto.

Na manhã desta terça, ele tem um café marcado com o presidente do Senado,Renan Calheiros (PMDB-AL). Apesar de aliado, Renan tem criado muitos problemas ao Planalto desde que o seu nome entrou na lista dos investigados na Lava Jato.


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