Lula cobra provas de Lina contra Dilma

Para presidente, bastaria ex-secretária apresentar agenda para comprovar se teve -ou não- encontro com Dilma

AE

17 de agosto de 2009 | 13h53

Em coletiva de imprensa ao lado do presidente do México, Felipe Calderón, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira, 17, a ida da ex-secretária da Fazenda Lina Vieira à Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

 

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Lina foi convidada pela CCJ depois de declarar, na semana passada, ter sido pressionada, antes de deixar o comando da Receita, pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a "agilizar" as investigações que o órgão conduzia sobre as movimentações financeiras de empresas ligadas à família Sarney. A Casa Civil nega o encontro.

 

Lina prestará depoimento nesta terça-feira, 18, às 9 horas.

 

Para o presidente, bastaria a secretária apresentar sua agenda para comprovar se houve ou não o encontro.

 

"Seria tão mais simples e tão mais fácil se a secretária (Lina) mostrasse a agenda do encontro com a Dilma. Ela não precisaria gastar dinheiro, pegar um avião. Era só pegar as duas agendas", disse Lula, ao responder às perguntas dos jornalistas após o encontro com o presidente do México.

 

Lula disse ainda considerar uma pobreza muito grande estar em debate no País a discussão em torno da ocorrência ou não do encontro entre a ex-secretária da Receita Federal e a ministra da Casa Civil.

 

"Toda vez que se começa a fazer carnaval com coisas que não dão samba, as coisas vão ficando cada vez mais desacreditadas na opinião pública", disse o presidente, que demonstrou desconforto diante da pergunta. Dilma participou da coletiva.

 

"Qual a razão dessa secretária dizer que teve o encontro e não mostrar a agenda?", questionou Lula. "A Dilma já disse que não tem o encontro na agenda. Eu não sei da vida das duas e não tenho propensão para mexeriqueiro", ressaltou o presidente.

 

Lula destacou que Lina prestou um grande serviço quando chefiou a Receita Federal, mas disse que quem perde com essa discussão é o Brasil. "Se as duas se encontraram, é só mostrar na agenda. E não precisa fazer cenário de crise entre as duas", concluiu.

 

Encontro não registrado

 

Apesar das declarações do presidente Lula de que bastaria pegar as agendas de Lina Vieira e Dilma Rousseff para comprovar se houve ou não encontro entre ambas, a ex-secretária da Receita Federal já havia afirmado, na semana passada, que a reunião não teria sido registrada em nenhum tipo de documento.

 

Segundo Lina, seu encontro foi agendado por Erenice Guerra, secretária executiva da Casa Civil que teria ido ao prédio da Receita Federal fazer o convite para a reunião. A ex-secretária da Receita alega não ter registros deste encontro e que a única prova é a sua então funcionária Iraneth Weiler, chefe de gabinete, que viu o momento em que a subordinada da ministra Dilma Roussef entrou e saiu do prédio.

 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Iraneth Weiler, que segundo Lina é a única prova da ida de Erenice ao prédio da Receita Federal, confirmou a versão da ex-secretária da Receita Federal. Segundo Iraneth, a secretária executiva da Casa Civil teria entrado por um corredor que dava acesso direto à sala de Lina. Assim, não teve que passar pela secretárias e o encontro não foi registrado nas agendas. Iraneth disse ser comum que "reuniões inesperadas", como aquela, não sejam documentadas.

 

Na última quinta-feira, 13, a assessoria da Casa Civil emitiu uma nota oficial afirmando que Erenice Guerra nunca esteve no gabinete de trabalho de Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal.

 

Lula foi informado das afirmações de Lina Vieira no dia 10 de agosto, em Quito, onde estava presente para participar da Unasul. Em território equatoriano, o presidente disse não acreditar que Dilma tenha pedido para a ex-secretária da Receita federal agilizar as investigações sobre Fernando Sarney. Segundo Lula, tais afirmações seriam fantasiosas.

 

Convidada a depor na CCJ

 

A vontade da oposição era convocar Lina Vieira para depor na CPI da Petrobras. Porém, a base governista, em grande maioria na comissão, neutralizou todas as possibilidades de que a ex-secretária da Receita Federal fosse convocada.

 

Assim, para superar o obstáculo da inferioridade numérica na CPI, PSDB e DEM se articularam e aproveitaram um descuido da base governista. Na última quarta-feira, 12, o líder da Comissão de Constituição e Justiça no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), colocou em votação requerimento para ouvir a ex-secretária da Receita Federal. Naquele momento, apenas um senador da base aliada estava presente, e o convite para Lina esclarecer sua afirmações a cerca do suposto encontro com a ministra Dilma Rousseff foi aprovado com folga.

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