Lula cobra lealdade da base no Senado para prorrogar CPMF

Presidente diz que não pode aceitar que a cada negociação alguém queira impor condições para votar

Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

17 de outubro de 2007 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em entrevista na República do Congo, que não aceita barganhar com opositores e aliados a aprovação da emenda constitucional que prorroga a CPMF até 2011. Ele cobrou lealdade da base de sustentação do governo no Congresso. "Na hora de votação não tem negociação", disse. "Não posso (aceitar) que a cada negociação alguém me entregue uma reivindicação e diga ?eu não voto isso?. Assim não faço política."Na viagem à África, Lula vem mantendo contatos diários por telefone com o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, e líderes do governo, por causa da CPMF e da sucessão no Senado. Ele cobrou empenho dos aliados. "Ou temos uma base aliada construída em relação a sete pontos que assumimos, compromissos, ou não temos base aliada", argumentou. "Espero a compreensão de todos."A uma pergunta sobre reclamações do senador e aliado José Sarney (PMDB-AP) por mais espaço no governo - um dos supostos pedidos de barganha -, Lula usou a própria família como metáfora. "Quem tem cinco filhos aprende a conviver com as reclamações", disse. "Acho normal que as pessoas reclamem. O que posso dizer é que não tenho demanda de nenhum senador na minha mesa."Questionado se deve sair caro um acordo com a senadora oposicionista e ruralista Kátia Abreu (DEM-TO), relatora da emenda da CPMF, Lula respondeu: "Sairá caro se (a CPMF) não for aprovada. Quero ver quem no planeta Terra governa um país que pode prescindir de R$ 40 bilhões." Ele lembrou que, no passado, a maioria dos senadores votou pela CPMF. "Todos os senadores que estão lá, com raríssimas exceções, já votaram a CPMF", disse. "Acho importante que todo mundo releia o discurso que fez há quatro anos ou oito anos e mantenha a posição que justificava a aprovação da proposta."O presidente observou que o Senado é soberano para tomar suas decisões, mas deve dizer, se não aprovar a CPMF, de onde o governo vai tirar dinheiro para projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Você não pode tirar do custeio", ressaltou. "Espero que, na hora em que algum senador votar contra, ele diga onde vamos arrumar R$ 40 bilhões para fazer o que precisamos fazer. É só isso que eu quero. Seriedade, nada mais do que isso, pois hoje quem precisa da CPMF não é o governo, é o País."Lula ainda criticou o discurso supostamente contraditório da oposição. "O discurso de quem quer mudar a CPMF e de quem sonha acabar com ela é tentar reparti-la", afirmou. "Se reparti-la entre Estados e municípios, nunca mais acaba a CPMF. Esse é um dado político."RONDEAULula deixou claro que não vê necessidade de mudar imediatamente o comando do Ministério de Minas e Energia, pasta que era ocupada por Silas Rondeau, apadrinhado de Sarney e Renan Calheiros (PMDB-AL). "O ministério está funcionando normalmente com o Nelson Hubner." Sobre a possível volta de Rondeau, respondeu: "Estou obviamente esperando que haja manifestação do Ministério Público, porque a história do Silas não ficou bem explicada."

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