Lula cobra integração entre países da América Latina

Ex-presidente da República disse que ainda há problemas de desconfiança entre os países da região

Luís Lima e Gustavo Porto, da Agência Estado,

21 de janeiro de 2013 | 11h34

SÃO PAULO - O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse na manhã desta segunda-feira, 21, na abertura do encontro com intelectuais da América Latina, promovido pelo Instituto Lula, que ainda há problemas de desconfiança entre os países da região e cobrou mais integração. "Ainda temos problemas entre nós (países da América Latina), problemas de desconfiança. Emprestar dinheiro para a Suíça é muito mais fácil que emprestar para a Bolívia", afirmou Lula, durante o período em que o evento foi aberto para cinegrafistas e repórteres de imagem.

No pronunciamento, captado pela AE TV, Lula citou como exemplo de desconfiança interna a chamada crise das papeleiras entre o Uruguai e a Argentina, a polêmica instalação de uma fábrica de celulose na divisa entre os dois países. Ele disse que interveio na época com os então presidentes Néstor Kirchner, da Argentina, e Tabaré Vázquez, do Uruguai, para resolver a questão.

Ainda no pronunciamento, Lula citou o pedido feito desde que era presidente para que a sociedade, os movimentos sociais e os empresários partilhassem da visão de que a integração latino-americana não ocorresse apenas do ponto de vista comercial. Ele lembrou que, em encontros durante seu governo, a questão da integração ficava sempre para depois.

O ex-presidente disse que sempre houve preconceito, inclusive na formação dos embaixadores, para a questão da integração latino-americana. "Não tem explicação (para o fato de) que, depois de 500 anos, eu inauguraria a primeira ponte entre Brasil e Bolívia", disse ele. "Nós estávamos de forma consciente voltados para a Europa e Estados Unidos e de costas para nós (para a América Latina).

Segundo Lula, não havia entre os líderes da região uma crença de que as relações pudessem ser frutíferas e produtivas e que "pudessem dar os resultados que estão dando agora", afirmou ele, referindo-se a uma melhoria na relação entre os países da América Latina.

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