Lula cobra fim de hostilidade entre Renan e Mercadante

Planalto teme que briga entre senadores respingue na CPI da Petrobrás

Leonêncio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está irritado com a tensão existente no Senado entre dois aliados de peso do governo. Em uma série de conversas, Lula cobrou o fim das hostilidades entre os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Aloizio Mercadante (PT-SP). A rivalidade ficou mais explícita com a criação da CPI da Petrobrás, há duas semanas, quando eles divergiram sobre o comando das investigações. No início da tarde de ontem, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, admitiu que a briga entre os dois senadores é um problema a mais para o governo. Segundo ele, o momento deve ser de esforço nas negociações de uma CPI "importante", que pode afetar investimentos da Petrobrás. "Existem questões pessoais e precisamos respeitá-las, mas os dois têm grandeza e entendimento de que são líderes importantíssimos e que nunca foi tão necessário estarem juntos", afirmou Múcio. "Evidentemente que, quando dois companheiros divergem sobre determinado assunto, você tem um pouco mais de trabalho para procurar aproximá-los. Mas o Brasil merece."Lula avalia que é difícil acabar com a briga por se tratar de uma disputa "pessoal", como ressaltou o ministro das Relações Institucionais. O presidente confidenciou a assessores que os dois senadores são homens "vaidosos, arrogantes e passionais".Renan chegou a criticar em entrevista a proposta de petistas de entregar a Mercadante a presidência da CPI da Petrobrás. O líder do PMDB no Senado disse que o petista não era uma "solução natural", que não tinha boa relação com a base. Mercadante afirmou que "estranhava" as declarações, pois não pleiteava a indicação.O auge da rivalidade entre os dois ocorreu em 2007, durante o escândalo que derrubou Renan da presidência do Senado. Após defender a absolvição do peemedebista, Mercadante reclamou que o colega não cumpriu um acordo que teria sido feito para ele se afastar do cargo. Renan reagiu, disse que não havia feito acordo e ainda, segundo petistas, teria ameaçado divulgar denúncias contra Mercadante e o senador Tião Viana (PT-AC).Hoje pela manhã, Lula vai receber Mercadante para uma reunião da qual Múcio também participará.FRASEJosé MúcioMinistro das Relações Institucionais "Os dois têm grandeza e entendimento de que são líderes importantíssimos e que nunca foi tão necessário estarem juntos""Evidentemente que, quando dois companheiros divergem sobre determinado assunto, você tem um pouco mais de trabalho para procurar aproximá-los. Mas o Brasil merece."

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