Lula cobra conclusão de obra de universidade para ano eleitoral

Presidente usa segunda visita a campus em Santo André como palanque para auto-elogios

Fausto Macedo, Adriana Chiarini, Marcelo Auler e Fabiana Cimieri, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

De olho nas eleições municipais de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou ontem o reitor Luiz Beviláqua a apressar a conclusão das obras do campus da Universidade Federal do ABC. "Tem umas coisas que terminam em 2008 e outras coisas que terminam em 2009. Já temos o dinheiro em caixa, já foi licitado. Então Beviláqua, a gente não tem de esperar 2009. A gente tem de inaugurar essa universidade em 2008. Olha que data bonita! 27 de setembro de 2008."Foi a segunda visita de Lula às obras da universidade, em Santo André. Em 2006, na campanha da reeleição, ele passou pelo terreno de 77 mil metros quadrados que deverá abrigar seis edifícios e 11 mil alunos, investimento orçado em R$ 96,7 milhões. Ontem, verificou que só 15% da construção está de pé.Depois de percorrer o canteiro, Lula subiu no palanque ao lado do reitor e dos ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Previdência, Luiz Marinho. Diante da platéia de alunos e professores , o presidente não escondeu a importância da universidade em ano eleitoral. E prometeu voltar para a inauguração. "Temos o dinheiro, temos o trabalhador, temos os estudantes e as necessidades. Portanto, acho que está na hora. Até o ano que vem."Já no palanque, Lula passou meia hora enaltecendo feitos que atribuiu à sua própria administração. "A economia brasileira vive momento auspicioso. Antes de chegarmos à Presidência, o Brasil devia ao FMI, devia ao Clube de Paris, não tinha crédito para importações. Hoje temos US$ 162 bilhões de reservas e tem uma crise nos Estados Unidos e não estamos nem um pouco preocupados com essa crise."Mais tarde, no Rio, durante inauguração das obras de ampliação do Aeroporto de Cabo Frio, o presidente voltou a surfar na onda do bom momento da economia. E aproveitou para mais uma vez alfinetar o antecessor, Fernando Henrique Cardoso, lembrando os problemas vividos pelo Brasil em 1998, quando a crise da Rússia levou o País à desvalorização cambial de janeiro de 1999 e à recessão. "Na crise da Rússia (os Bancos Centrais dos EUA e da União Européia) botaram US$ 90 bilhões (no mercado), e o Brasil quebrou. Agora, a bolsa brasileira bate recorde todo dia e toda hora", afirmou. Mais uma vez, Lula defendeu a opção por medidas econômicas ortodoxas. Disse que, quando o trabalhador é sério, não gasta todo o salário fora de casa, mas estabelece prioridades junto com a mulher e age de acordo com elas. "Tem gente, como os que governaram antes de mim, que gasta tudo antes do Natal", alfinetou. "Em 2003 eu fui xingado por companheiros, porque tinha que gastar. Mas eu aprendi a fábula da cigarra e da formiga. Veio o inverno, e as formiguinhas estavam tranqüilas."COBRANÇAÀ noite, ao participar das comemorações pelos 110 anos da Academia Brasileira de Letras (ABL), Lula resolveu cutucar as editoras brasileiras. "Imaginamos que quando desoneramos os livros, os preços iam cair, mas não caíram. Certamente aumentou o lucro das editoras", disse. E,dirigindo-se ao senador e acadêmico José Sarney (PMDB-AP), autor da lei que isentou as publicações de tributos federais, propôs: "A gente precisa aperfeiçoar essa tua lei para ver se isso não acontece." Lula foi saudado pelo presidente da ABL, Marcos Vinicius Vilaça, que recordou a origem nordestina dos dois. Mas foi de Sarney, orador oficial da cerimônia, o maior estoque de elogios. "Vossa excelência podia ter chegado aqui não como presidente, mas como personagem nas páginas de Rachel de Queiroz, José Lins do Rego ou Jorge Amado, aqueles que Oswald de Andrade chamava de ?búfalos do Norte?."O senador classificou a biografia de Lula de "marcante e notável" e sua eleição para a Presidência de "referência de maturidade da democracia brasileira". Sarney ainda se referiu ao acidente de trabalho em que o presidente perdeu o dedo mínimo, citando as "mãos dilaceradas pelo trabalho das fábricas".

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