Lula cita ascendência de JK a premier tcheco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva explorou principalmente a ascendência tcheca do ex-presidente Juscelino Kubitschek, ao discursar durante o almoço que ofereceu ao primeiro ministro da República Tcheca, Jiri Paroubek, no Palácio do Itamaraty. Logo no início, Lula ressaltou que o Brasil, visitado por Paroubek "é muito diferente daquele que recebeu o bisavô do presidente Kubitschek".Lula preferiu acentuar os feitos dos seus três anos de mandato. Ele destacou que no plano econômico seu governo retomou o crescimento industrial e agrícola, duplicou as exportações e consolidou o País como destino preferencial de investimentos estrangeiros. Além disso, disse que seu governo garantiu o equilíbrio fiscal, a estabilidade da moeda e avançou na área social. Lula destacou que no plano externo seu governo priorizou o Mercosul e a integração sul-americana e a criação de mecanismos mais representativos e democráticos no cenário internacional, como o G-20. Ele reforçou que os dois países devem explorar suas vantagens recíprocas, como por exemplo o fato de a República Tcheca ser um importante centro logístico de distribuição de bens e serviços pela Europa Central e do Leste. Também lembrou que a isenção da obrigatoriedade de vistos para turistas promoveu o turismo entre os dois países. Lula defendeu ainda que Brasil e a República Tcheca deveriam promover investimentos recíprocos de olho nos mercados ampliados da América do Sul e da Europa Central e do Leste. Na área multilateral, a República Tcheca deu o apoio ao projeto de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, apresentado pelo Brasil, Alemanha e Índia.Apoio do Brasil Em seu discurso, o primeiro-ministro tcheco lembrou que seu país também pleiteia o apoio do Brasil e seus aliados para tornar-se membro não permanente no mesmo conselho. Paroubek enfatizou que seu país concluiu a transformação econômica e hoje conta com um parque produtivo dos mais modernos. A economia tcheca tem crescido anualmente a uma taxa de 5% ao ano indicador que o Brasil ainda não se aproximou no governo Lula. O primeiro-ministro ainda lembrou que a adesão do seu país à União Européia, em 2004, tende a multiplicar as suas possibilidades. Na área bilateral, ele lembrou que os motores dos automóveis Volkswagen, produzidos no Brasil são provenientes do seu país. Ele defendeu ainda que seria favorável uma maior abertura da União Européia às economias do Mercosul na área agrícola, apesar da resistência dos demais sócios do bloco europeu.Simpático, o primeiro-ministro ressaltou a origem da família Kubitschek, as obras de Jorge Amado e a importância do reforço das esquerdas na América Latina. "O Brasil não é só o país do café, do futebol e da beleza feminina", afirmou. Ele ressaltou também que neste ano haverá eleições nos dois países e que não duvida de que tanto ele mesmo quanto Lula sairão vitoriosos. Ele lembrou ainda que espera reencontrar Lula no próximo dia 9 de julho, na Alemanha, no final da Copa do Mundo, para torcer por suas respectivas equipes mas que ao contrário do que ocorreu há cerca de 40 anos, quando o Brasil venceu a equipe tcheca, "eu não acharia ruim que desta vez o resultado fosse contrário de 40 anos atrás".

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