Lula chega amanhã ao Rio para visitar favelas do PAC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega amanhã ao Rio para uma maratona de visitas a três favelas que receberão quase R$ 1 bilhão de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para reurbanização. Protegidos por um forte esquema de segurança, Lula e a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, subirão em palanques montados em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas, ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB).Juntos, os complexos de Favelas do Alemão, Manguinhos e Rocinha abrigam 365 mil moradores em condições precárias de saneamento e acessibilidade, que sofrem com a falta de serviços públicos elementares. "O Rio de Janeiro será outro depois dessas obras", disse hoje o vice-governador e secretário de Estado de Obras, Luiz Fernando Pezão, dando a dimensão que o projeto tem para o governo do Rio. O PAC Favelas, que também levará obras ao Morro do Preventório, em Niterói, no Grande Rio, e ao Complexo do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, na zona sul da capital fluminense, é considerada a principal proposta de Cabral Filho. Planos para estender as obras aos Complexos do Jacarezinho e da Penha estão em estudo. As obras terminarão em 2010 e poderão credenciá-lo à reeleição.Também poderão ajudar o candidato de Lula a governador do Rio votos no Estado. Sem os recursos federais, que custeiam cerca de 80%, o governo do Estado não teria como fazer as obras. Em novembro, o presidente havia acionado o primeiro bate-estacas das obras no Cantagalo, na primeira incursão de uma comitiva presidencial numa favela de encosta carioca. Aplaudido, abraçou populares e prometeu que os moradores terão "orgulho" do lugar onde vivem. Apesar do tráfico, que se retraiu, não houve incidentes em relação à segurança. Dessa vez, Lula levará Dilma, gestora do programa. Poderá ser um teste para ela, objeto de especulações eleitorais, num palanque de verdade.Nas três favelas que receberão o presidente, o clima é de ansiedade e apreensão. A maioria dos moradores que ver Lula de perto, mas também se preocupa com a perspectiva de que as obras venham acompanhadas de operações policiais sangrentas, como as que levaram a mais de 50 mortes só no Alemão desde 2007.Quartel-generalConsiderado pela polícia como o quartel-general do Comando Vermelho (CV) no Rio, o Alemão é dominado por uma das quadrilhas mais bem-armadas da zona norte. Integram a mesma facção os bandidos de Manguinhos, também na zona norte, uma das favelas mais isoladas da capital fluminense, com baixíssimos índices sociais. Apenas dois postos de saúde e quatro escolas atendem a uma população de 65 mil habitantes. Na zona sul, a Rocinha é dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA), considerada menos beligerante."Acho que a violência no Rio é até pequena diante da ausência total do poder público nessas favelas. São pessoas vivendo em verdadeiros guetos, a poucos metros da cidade formal", diagnostica Pezão, que pilota as obras, condição que o tem aproximado da chefe da Casa Civil. Ele passou um ano visitando as comunidades, muitas vezes sem segurança pessoal. Apesar de ter um plano de segurança para "escoltar" os canteiros de obras, o governo estadual usa a contratação de mão-de-obra local e a dá prioridade para equipamentos de benefício imediato à população. Colégios e unidades de saúde devem ser inauguradas até novembro, diz o secretário estadual de Obras do Rio. Dessa forma, as autoridades querem conquistar os moradores para que eles ajudem a defender as obras diante dos bandidos.Nos cálculos do subsecretário estadual de Projetos e Urbanismo, Vicente Loureiro, as empreitadas despejarão na economia das favelas R$ 10 milhões por mês durante três anos. Desse total, 30% serão pagos em salários. O número de empregos diretos e indiretos pode chegar a 10 mil. Um volume de recursos maior do que o movimentado pelos traficantes. Mesmo assim, a apresentação das animações e maquetes dos projetos que prometem uma profunda alteração da paisagem das favelas ainda desperta a incredulidade da maioria dos moradores. Muito se queixam da falta de informações sobre remoções. Estão previstas intervenções ousadas, como a construção de um teleférico com 3 quilômetros de extensão que ligará o alto do Alemão à estação de trem de Bonsucesso, na zona norte. A idéia mais ousada é a de Manguinhos, onde, apesar de cara, a elevação da linha férrea por dois quilômetros foi a solução adotada para livrar a comunidade da divisão imposta pelos muros que protegem os trilhos.

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