Lula chega a morros no Rio para anunciar PAC de R$ 1 bi

Presidente chegou ao Complexo do Alemão perto das 10 horas; segundo PM, 7 mil pessoas o esperavam

Kelly Lima, Agencia Estado

07 de março de 2008 | 10h08

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou pouco antes das 10 horas desta sexta-feira, 7, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, para dar início a uma maratona de visitas a três favelas, que receberão cerca de R$ 1 bilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para projetos de reurbanização. Segundo cálculos da Polícia Militar, Lula foi recepcionado na favela por um público de 7 mil pessoas.  Veja também:  Veja quais são as obras do PAC nos morros do Rio   Veja o balanço do PAC   Agentes estão infiltrados nos morros há dois meses  Associações negam ter feito acordo com tráfico  Vinda de d. João será lembrada na visita de Lula  O presidente está acompanhado do ministro da Justiça, Tarso Genro, do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, do ministro das Cidades, Márcio Fortes, da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff e do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB). O governo pretende investir R$ 600 milhões nas obras de saneamento e habitação no complexo do Alemão. Lula visitará também Manguinhos e Rocinha.  Protegidos por um fortíssimo esquema de segurança, que incluiu dois meses de infiltração da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nos morros cariocas, o presidente e a Dilma subirão em palanques montados em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).  Juntos, os complexos de favelas do Alemão, de Manguinhos e da Rocinha abrigam 365 mil pessoas em condições precárias de saneamento e acessibilidade, sem serviços públicos básicos. Com o PAC, os complexos receberão, respectivamente, R$ 493 milhões, R$ 232 milhões e R$ 175 milhões. Outros R$ 100 milhões serão aplicados em comunidades vizinhas. Estão previstas obras como o calçamento de ruas e ladeiras e a construção de escolas, postos médicos, redes de esgoto e casas populares, entre outras. Assessores dizem que o presidente pretende, com os investimentos, reforçar a imagem do PAC nas camadas mais pobres da sociedade. "O Rio será outro depois dessas obras", diz o vice-governador e secretário de Obras do Rio, Luiz Fernando Pezão.  Estão previstas obras ousadas, como um teleférico com 3 quilômetros que ligará o alto do Alemão à estação de trem de Bonsucesso, na zona norte. Em Manguinhos, haverá elevação da linha férrea por dois quilômetros - para livrar a comunidade da divisão imposta pelos muros que protegem os trilhos. Na Rocinha, a obra mais visível deverá ser uma das primeiras a sair do papel. Trata-se de uma passarela cujo projeto foi doado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.  Visibilidade O PAC das Favelas, que também levará obras ao Morro do Preventório, em Niterói, e ao Complexo do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, na zona sul do Rio, é considerado o principal projeto de Cabral. Planos de estender as melhorias aos complexos do Jacarezinho e da Penha estão em estudo. As obras terminam em 2010 - quando Cabral poderá disputar a reeleição. O empreendimento também poderá ajudar o candidato apoiado por Lula a ganhar votos. Em novembro de 2007, o presidente fez questão de acionar o primeiro bate-estacas das obras no Cantagalo, na primeira incursão de uma comitiva presidencial em uma favela de encosta carioca. Aplaudido, abraçou populares e prometeu que os moradores terão orgulho do lugar onde vivem Desta vez, o presidente deverá levar Dilma, gestora do PAC. Poderá ser um teste para a ministra, objeto de especulações eleitorais, num palanque de verdade. Violência Nas três favelas que receberão Lula, o clima é de ansiedade e apreensão. A maioria dos moradores quer vê-lo de perto, mas se preocupa com a perspectiva de que as obras venham acompanhadas de operações policiais como as que já causaram mais de 50 mortes só no Alemão desde o ano passado. Considerado pela polícia como o quartel-general do Comando Vermelho no Rio, o local é dominado por uma das quadrilhas mais bem armadas da zona norte. Integram a mesma facção os bandidos de Manguinhos, também na zona norte, uma das favelas mais isoladas da cidade, com baixíssimos índices sociais. Apenas dois postos de saúde e quatro escolas atendem 65 mil pessoas. Na zona sul, a Rocinha é dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA), considerada menos beligerante.  (Colaboraram Alexandre Rodrigues, Leonencio Nossa e Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo)

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