Lula, Chávez e Evo vão lançar novos projetos de cooperação

Os presidentes de Brasil, Bolívia eVenezuela se encontram na sexta-feira numa cidade amazônicapara lançar projetos rodoviários e aprofundar a cooperaçãopolítica entre eles, pouco mais de três semanas antes de umreferendo crucial no qual o boliviano pode perder o cargo. O encontro de Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales e HugoChávez ocorrerá na pequena cidade de Riberalta, 1.000quilômetros ao norte de La Paz em uma região reduto da oposiçãode direita, onde o boliviano faz campanha para permanecer nopoder depois do referendo revogatório de 10 agosto. "O encontro vai durar umas quatro horas e marcará um novomomento importante do relacionamento internacional dopresidente Morales", disse na quinta-feira a jornalistas oporta-voz do governo boliviano, Iván Canelas. Outra fonte oficial disse que Lula viajará na tarde desexta-feira para a Colômbia, mas não tinha confirmação sobre osplanos de Chávez. O porta-voz afirmou que Morales pretende aproveitar a ajudaestrangeira para estabelecer uma boa ligação rodoviária entre aregião andina da Bolívia (oeste) e as planícies do norte eleste --o que também permitiria ao Brasil criar uma novaconexão com o oceano Pacífico. Ao contrário da presença de Lula, geralmente aplaudida nopaís, a visita de Chávez ocorre em um momento no qual setoresda oposição voltaram a colocar o venezuelano no centro de suacampanha contra Morales. "Chávez manda, Evo cumpre" é um dos bordões mais repetidosnesta semana por redes rádio e TV, conclamando o voto contra omandatário no referendo. Em dezembro passado, lideranças locais atacaram um aviãomilitar venezuelano em Riberalta, obrigando-o a fazer um pousode emergência no Brasil. Riberalta é parte do Departamento de Beni, uma das quatroprovíncias oposicionistas que neste ano declararam autonomia emprotesto contra a nova Constituição que Morales pretendeaprovar. De acordo com o governo boliviano, Lula irá confirmar nasexta-feira um empréstimo brasileiro de 230 milhões de dólarespara a construção de um trecho de 508 quilômetros, pouco maisda metade da estrada entre Riberalta e La Paz, parte do chamadocorredor bioceânico. "A formalização deste financiamento é uma mostra docompromisso brasileiro com o desenvolvimento econômico e socialda Bolívia e, num contexto mais amplo, de geração de novainfra-estrutura para a América do Sul", disse o porta-voz deMorales. Os três presidentes firmarão também uma declaração secomprometendo a proteger o equilíbrio ecológico da Amazônia semrenunciar ao desenvolvimento da região, acrescentou Canela. O Brasil, principal sócio comercial da Bolívia, pretendeconstruir duas represas em Rondônia, perto da fronteiraboliviana.

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