Lula chama Tarso e diretor da PF para tratar da Satiagraha

Encontro não constava da agenda oficial do presidente; na última 4ª, Lula cobrou volta de Protógenes ao caso

Leonencio Nossa, de O Estado de S. Paulo,

17 de julho de 2008 | 12h53

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na manhã desta quinta-feira, 17, no Palácio do Planalto, com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e com o diretor interino da Polícia Federal (PF), Romero Menezes, para conversar sobre a Operação Satiagraha, informaram fontes do governo. O encontro não constava da agenda oficial do presidente. Na última quarta-feira, Lula cobrou, em entrevista  no Palácio do Planalto, a permanência do delegado federal  Protógenes Queiroz  no comando da operação, que investiga uma organização acusada de corrupção e lavagem de dinheiro.  Veja também:Lula cobra volta do delegado Protógenes ao caso DantasLula teria sido alertado do risco de afastar ProtógenesEm nota, PF reafirma que Protógenes pediu para sairApesar do apelo de Lula, Protógenes deixa caso Dantas na sextaJuiz aceita denúncia e Daniel Dantas vira réu por corrupção ativa Leia íntegra da decisão do juiz que aceitou denúncia  PF anuncia Ricardo Saad como substituto de Protógenes Entenda como funcionava o esquema criminoso Veja as principais operações da PF desde 2003 As prisões de Daniel Dantas Ainda na entrevista, Lula insistiu na afirmação de que Protógenes havia tomado a iniciativa de deixar a função e não mencionou a versão de que o policial havia saído em razão de pressões de Tarso e autoridades da própria PF. Lula classificou de "insinuações" e "mentiras" versões de que o afastamento de Protógenes, anunciado na terça-feira, teve razões políticas. "Já falei com o ministro Tarso Genro para conversar com a Polícia Federal porque esse delegado tem que ficar no caso", disse o presidente. "Moralmente, esse cidadão tem de ficar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público, a não ser que ele não queira", afirmou.  O apelo do presidente, no entanto, não foi suficiente para trazer o delegado ao comando do inquérito da Satiagraha. Em nota divulgada no início da noite da última quarta, pouco depois da entrevista de Lula, a Polícia Federal reafirmou que tanto Protógenes como sua auxiliar, delegada Karina Marakemi Souza, tiveram seus pedidos de afastamento aceitos. Para os seus lugares, foram designados os delegados Ricardo Saadi, chefe da Delegacia de Combate aos Crimes Financeiros (Delefin) da Superintendência da PF em São Paulo, e Erika Mialik Marena. Mas para não incorrer em insubordinação, a PF, após um dia de intensas discussões internas, encontrou uma fórmula intermediária. A saída para a confusão, com a qual Protógenes concordou, é que ele continua no caso até sexta-feira e produz um relatório que encerre sua participação. A partir de segunda-feira, porém, ele se desliga do inquérito "espontaneamente" para fazer o curso superior de polícia no qual está matriculado desde março e não volta a atuar no caso. Em meio à crise no comando da operação, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, tirou férias e viajou para longe do problema.

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