Lula chama PSDB de irresponsável

Presidente afirma que a CPI não é do Congresso, mas dos tucanos

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

A criação de uma CPI para investigar a Petrobrás deixou irritado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reagiu duramente. "Não é nenhuma CPI do Congresso. É do PSDB", afirmou. Lula chegou a classificar a iniciativa de "irresponsável", principalmente por partir de um partido que governou por oito anos o País. "Parece briga de adolescente", comparou, argumentando que ela não tem "explicação lógica".Segundo o presidente, não é bom que seja instalada uma CPI para investigar a estatal exatamente no momento em que ele viaja pelo mundo na busca de dinheiro para a exploração da camada do pré-sal. "Alguém levantar uma CPI agora é ser pouco patriota", criticou. Ele ironizou a ofensiva, sugerindo que a oposição está "nervosa" porque ficou sem discurso. "Até ontem, o grande tema deles (PSDB) era caderneta de poupança. Como a decisão tomada (pelo governo) protege 99% dos poupadores, eles se voltaram contra a Petrobrás. Estão brincando com o sentimento do povo. Eles sabem da gravidade da crise."A entrevista foi convocada por Lula no fim da manhã, na Base Aérea, pouco antes de embarcar para uma viagem de uma semana por Arábia Saudita, China e Turquia. Mais cedo, ainda no Palácio da Alvorada, Lula se reuniu com os ministros José Múcio Monteiro, das Relações Institucionais, e Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação, a fim de estudar a estratégia para enfrentar a nova crise com o Congresso. O presidente assegurou que o governo "não cochilou" ao permitir a manobra da oposição no Senado. "Este governo passa acordado 24 horas por dia", afirmou.ACORDOAo lado do vice-presidente José Alencar e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula lamentou o ocorrido. Disse que estranhou a atitude do PSDB porque existia um acordo, que foi rompido. Depois de comentar que os tucanos "estão nervosos", disse não acreditar que a CPI "seja de interesse dos governadores, do possível candidato do PSDB (José Serra, governador de São Paulo)". E provocou: "Possivelmente, isso seja muito mais de interesse de pessoas que estão a um ano e meio do fim do mandato e não têm certeza se voltarão como senadores." Indagado se a CPI representava a antecipação do debate eleitoral, Lula disse que não. "Cara nervosa na televisão assusta", ironizou. "É melhor ficar calmo, tranquilo, fazer uma campanha muito alegre, porque é assim que a gente ganha as eleições." Dilma, por sua vez, disse não acreditar que a criação da CPI tenha por objetivo desestabilizar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. "Não acho que os candidatos ou os eventuais candidatos, os possíveis e os imaginários, queiram desestabilizar o Brasil", declarou, ressalvando, no entanto, que a iniciativa de criação de uma CPI para investigar a Petrobrás "sem dúvida atrapalha" os investimentos na empresa.

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