Lula chama Marta a Brasília e deve convidá-la para o Turismo

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy vai a Brasília na segunda-feira, 19, e deve receber do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o convite formal para ocupar o Ministério do Turismo. Ela recebeu na tarde desta sexta-feira, 16, um telefonema do Palácio do Planalto convocando-a para o encontro. Marta avisou que não falará sobre o assunto antes de conversar com Lula e receber efetivamente o convite.Depois de meses submetida a um constrangedor "banho-maria", no qual Lula insinuava convidá-la e depois desconversava, Marta optou pelo silêncio e pela cautela. Deixou claro que aceita o convite, mesmo depois de ser descartada para pastas mais poderosas, como Cidades e Educação. Mas agora se sente liberada para concorrer à Prefeitura de São Paulo no ano que vem, desobrigando-se de continuar no ministério até o fim do segundo mandato de Lula.Quando ainda era cotada para Cidades ou Educação, Marta deixou claro que aceitava as condições impostas pelo presidente, que não queria tê-la como uma ministra-candidata. Naquele momento, em fevereiro, ela se considerava um nome da "cota de Lula" no Ministério. Agora, segundo colaboradores, a ex-prefeita se considera como um nome da "cota do partido".Isso não quer dizer que a ex-prefeita não ligue mais para Lula. Ao contrário, dizem seus colaboradores, ela vê a possibilidade de construir uma nova relação com o presidente ao longo dos próximos meses, apostando todas as fichas numa boa gestão no Ministério do Turismo. Por isso, em seu círculo mais próximo a ordem é trabalhar duro em Brasília. O ministério pode ser uma boa vitrine para uma eventual campanha em 2008 ou mesmo 2010.Pressão e superexposiçãoO fato de ser hoje um dos nomes mais fortes do PT para a campanha presidencial de 2010 pesou contra a ex-prefeita nesta arrastada reforma ministerial. Lula demonstrou desconforto com a idéia de Marta ganhar muito poder em seu governo e se impor como candidata à sua sucessão. A pressão do PT ajudou a incomodar ainda mais o presidente. Parte da "pressão" se deve ao pesado jogo político dentro do próprio partido. Colaboradores reclamam que a superexposição do nome da ex-prefeita, prejudicial à sua imagem, foi orquestrada pelos adversários no PT. Queriam justamente que a ela aparecesse na mídia como a líder ambiciosa que lutava por um cargo poderoso.Também a ala "martista" errou ao fazer campanha demais. Marta tem em torno de si vários grupos à espera de novas oportunidades, fazendo planos e torcendo para que ela abra caminhos de atuação e influência. Parte da superexposição foi causada por esse afã da militância e dos agregados políticos. "Tem gente que faz campanha por ela, sem que ela queira", diz um colaborador. "O pior é que, além de prejudicar, depois vem cobrar a fatura."Texto ampliado às 18h16

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.