Lula chama embaixadores sul-americanos para avaliar promessas não cumpridas

Objetivo de encontro inédito é 'ver os gargalos', diz Celso Amorim.

Denize Bacoccina, BBC

11 Outubro 2007 | 06h15

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quinta-feira com os 12 embaixadores brasileiros na América do Sul, 13 ministros de Estado e os presidentes de várias estatais para "revisar os compromissos que foram assumidos pelo Brasil ao longo dos últimos anos e ainda não foram cumpridos". "O objetivo da reunião é ver os gargalos", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "Vamos resumir a agenda a tratar dos problemas que podem ter solução a curto prazo." Ele disse que não será uma reunião política. "Esses assuntos eu converso o tempo todo com o presidente", afirmou. Amorim disse que o encontro, segundo ele inédito na diplomacia brasileira, não foi motivado por nenhuma reclamação específica de nenhum país vizinho com relação ao atraso no cumprimento de nenhuma promessa. "Foi motivada pela consciência de que muitos pensamentos às vezes perdem sua força e deixam de se traduzir em ação", afirmou. Os embaixadores já discutiram esses temas nesta terça e quarta-feira no Itamaraty com o ministro, e fizeram uma lista das promessas não cumpridas pelo Brasil e que podem ter uma solução simples a partir do contato com outros ministérios e estatais. Um caso concreto citado pelo ministro é o pagamento ao Focem (Fundo para Convergência Estrutural do Mercosul), para financiar projetos nos países menores do bloco. Este ano, o Brasil deveria pagar US$ 52 milhões, mas tem apenas US$ 8 milhões até agora. "O que perpassa quase todos é a questão do financiamento", disse Amorim. Um dos assuntos da reunião é o Banco do Sul, cuja criação foi acertada esta semana numa reunião no Rio de Janeiro entre ministros da Fazenda de Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai e Venezuela, e terá o objetivo de financiar de desenvolvimento na região. Amorim lembrou que o comércio do Brasil com a região aumentou muito nos últimos anos e hoje as exportações para a América do Sul em seu conjunto já são maiores do que para os Estados Unidos. O ministro disse também que a diplomacia precisa ficar atenta às "intensas mudanças" ocorridas na região e ser capaz de responder a estas mudanças. "Temos que trabalhar defendendo os nossos interesses, claro, mas com flexibilidade para compreender a situação de cada país", Nesta quarta-feira, o ministro se reuniu no Itamaraty com o diretor do Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos, Allan Hubbard, e à noite o presidente Lula recebeu em jantar no Palácio do Alvaorada 20 executivos brasileiros e americanos representantes do Fórum de Altos Executivos de Empresas Brasil-Estados Unidos. O órgão foi criado durante a visita do presidente Lula ao presidente George W. Bush, em Camp David, em março, para fortalecer os laços econômicos e sociais do setor privado dos dois países. Amorim disse que não existe a intenção de combinar as agendas dos dois eventos para mostrar um equilíbrio na relação do Brasil com a América do Sul e com os Estados Unidos. "Foi apenas um coincidência", afirmou. A reunião desta quinta-feira deve ocupar todo o dia, entre 11h e 18h. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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