Ricardo Moraes|Reuters
Ricardo Moraes|Reuters

Lula chama de 'loucura' decisão de Cunha sobre impeachment

Para o ex-presidente, parlamentar colocou interesses pessoais acima dos interesses do País; o petista se disse 'indignado' e pediu ainda uma solução rápida para o processo

Vinicius Neder e Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 18h50

RIO - Na primeira declaração pública após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acatar um dos pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou nesta quitna-feira, 3, a decisão de “loucura” e disse, no Rio, que o peemedebista colocou seus interesses acima dos do País. Lula pediu uma solução rápida para o processo e criticou a oposição, que, afirmou, ainda busca um “terceiro turno” da eleição de 2014.

O ex-presidente também defendeu as medidas de ajuste propostas pela equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como saída para a crise econômica e cobrou união. “Quando o trem está descarrilado, a gente não fica brigando pra saber qual é a nossa posição, se de primeira classe, segunda classe ou terceira classe. A gente tem de colocar o vagão no trilho e ficar disputando nosso espaço”, disse.

Lula falou à imprensa após reunião, no fim da tarde, com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). De manhã, o governador, correligionário de Cunha no PMDB fluminense, mas aliado da presidente, já o havia criticado por dar andamento ao pedido de impeachment.

“A tarefa maior neste instante é não permitir que essa loucura que o Eduardo Cunha fez ontem (anteontem) tenha prosseguimento. Precisa decidir isso logo. Se a gente for esperar passar Natal, passar fevereiro, passar o carnaval, qual será o clima político neste País? Qual investidor que vai querer investir no Brasil?”, perguntou Lula.

O ex-presidente aproveitou para criticar a oposição. “Aqueles que quiseram fazer o terceiro turno da eleição, caçando a presidenta Dilma na Justiça Eleitoral, agora acharam a possibilidade do terceiro turno com a tese do impeachment, que não tem nenhuma sustentação legal, a não ser uma demonstração de raiva, de ódio”, afirmou.

Barganha. Segundo Lula, ele fez oposição “a vida inteira”, mas ninguém o viu, quando perdeu algum pleito, “ficar criando caso por causa das eleições”. O ex-presidente descartou a possibilidade de Dilma ter se envolvido em barganha para trocar apoio do PT no processo pela cassação do mandato de Cunha no Conselho de Ética da Câmara pelo arquivamento dos pedidos de impeachment.

“Não houve acordo, pelo menos eu não sei, ninguém me falou. Conheço a Dilma e é muito difícil alguém imaginar que a Dilma faz barganha”, falou o ex-presidente. Lula evitou dizer se Cunha deveria deixar o cargo de presidente da Câmara. “Não podemos ficar dependendo apenas do presidente. A maioria dos deputados não quer que o País saia prejudicado.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.