Lula brinca com tensão pré-Copom e ataca FHC

Em discurso de improviso entremeado de críticas ao antecessor Fernando Henrique Cardoso e de brincadeiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar hoje do Senado a votação das Parcerias Público Privadas (PPPs) e garantiu que o crescimento econômico deste ano "já está garantido". Ele arrancou gargalhadas da platéia de executivos e funcionários da Petrobras, ao visitar em Paulínia as obras do gasoduto que liga Campinas ao Rio, ao dizer que "têm épocas do mês em que a sociedade vive uma espécie de TPC (tensão pré-Copom)". Segundo ele, "cabe ao governo nesta hora passar para as pessoas a certeza de que elas devem investir".O presidente defendeu "um projeto estratégico de desenvolvimento no longo prazo" para atacar FHC. "A impressão que tenho é de que até agora os governantes sempre pensaram no País apenas em época de eleição e ficaram tão preocupados com sua própria reeleição que não conseguiram cumprir o que pretendiam", disse. Para Lula, seus antecessores não resolveram problemas pequenos. "É como se houvesse o tempo todo uma torneira pingando e, ao invés de trocar logo a torneira, todos tivessem tentado remendá-la com elástico ou panos".O presidente defendeu que a Petrobras seja um indutor de investimentos em infra-estrutura. "A Petrobras é como um filho mais velho do governo, mais experiente e que tem mais gordura, muito mais gordura, para queimar em projetos deinfra-estrutura", disse Lula. Ele lembrou que existem projetos que podem ser tocados sozinhos por investidores privados, devido à possibilidade de retorno que oferecem."Mas existem casos que o governo tem que entrar no negócio e a Petrobrastem importante papel", afirmou.Lula citou como exemplo o projeto do biodiesel, que prevê a adição do combustível feito à base de mamona ao diesel. Para ele, durante muito tempo os "governantes disseram que erapreciso lutar contra a seca, mas não perceberam que seria impossívelbrigar com forças da natureza e que o ideal era estabelecer uma políticapública para extrair da região o que ela pode dar". "Acredito que esteprojeto vai fazer pelo semi-árido brasileiro, o que fez o projetodesenvolvido por Roosevelt no Tennessee, no Estados Unidos", comparou.

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