PAULO LIEBERT/AE
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Lula brinca ao falar de Twitter e constrange Mercadante

Senador disse que deixaria a liderança "em caráter irrevogável", mas acabou voltando atrás no mesmo dia

Anne Warth, Agência Estado

25 de agosto de 2009 | 16h21

Ao corrigir informação dada nesta manhã (25) sobre o marco regulatório da exploração de petróleo na área de pré-sal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou por causar mais um momento de constrangimento para o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Lula disse, em discurso no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, que percebeu que havia se expressado mal em relação à questão do pré-sal quando leu as notícias por meio do telefone celular do senador petista.

  

"Eu estava vendo ali na internet do Aloizio Mercadante, esse bichinho que escraviza o ser humano agora, que houve uma compreensão equivocada, talvez, eu diria, uma má colocação minha na inauguração da pedra fundamental sobre a questão do pré-sal", reconheceu Lula, esclarecendo o erro cometido pela manhã, quando afirmou que 71% dos recursos advindos da exploração do pré-sal iriam para fundo do governo destinado a investimentos em educação, ciência e tecnologia e combate à pobreza.

 

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"Não é que o governo vai ficar com 71% do petróleo do pré-sal. O que quis dizer é que, de todo o bloco do pré-sal, 29% já foi leiloado pelas regras anteriores e, portanto, o que vai entrar na regulamentação são 71% que não tinham sido leiloados ainda", explicou. O presidente ressaltou que a correção poderia ser publicada rapidamente na internet e não perdeu a oportunidade de brincar com Mercadante. "Vocês, que vão rapidinho aí na internet, no tal de Twitter, e colocam as mensagens, por favor, coloquem essa mensagem rapidinho. O Aloizio já pode colocar a mensagem no dele", afirmou, sob risos da plateia que assistia às discussões.

 

Ao final do evento de hoje, Lula e Mercadante deixaram o encontro sem falar com a imprensa.

 

Crise no PT

 

A aparição pública de Lula e Mercadante vem depois de um desentendimento entre ambos na semana passada, fato que gerou o início de uma crise no PT. O senador, descontente com a postura do partido de votar pelo arquivamento das denúncias contra José Sarney, declarou na quinta-feira, 20, por seu twitter, que iria, de forma "irrevogável" deixar a liderança do partido no Senado.

 

O presidente convidou Mercadante para uma reunião, antes que o senador anunciasse sua renúncia. O encontro foi realizado na noite da quinta-feira, 20. Durante a conversa, Lula disse que não admitia ser pressionado e que Mercadante havia cometido um "grave erro político". No dia seguinte, sexta-feira, 21 de agosto, no discurso que seria o de sua renúncia, Mercadante voltou atrás e leu carta que o presidente havia lhe mandado, na qual afirmava que o senador de São Paulo é "imprescindível" para o PT.

 

O recuo de Mercadante foi o estopim de uma série de acontecimentos que iniciaram a crise interna no PT. Na semana passada, Marina Silva se desligou do partido para se lançar candidata à presidência pelo PV e o senador Flávio Arns (PR) anunciou que está envergonhado com o partido e que irá se desfiliar. A oposição aponta o caso entre Mercadante e Lula como um claro indício de que a bancada petista está inteiramente subordinada ao presidente. Também no twitter, que foi protagonista na agenda política dos últimos dias, o senador José Agripino Maia (DEM-RN) declarou: "Eu sabia que a pinimba de Lula com o Senado ia dar no que deu: assumiu a liderança do PT já enxotando quem não quer."

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