Lula avisa que vai vetar mínimo de R$ 275

O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), marcou para a terça-feira a votação da medida provisória do salário mínimo. A base aliada ao Palácio do Planalto vai tentar recompor na Câmara o valor de R$ 260, derrubado na quinta-feira pelos senadores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está confiante na aprovação dos R$ 260, mas já avisou aos aliados que vai vetar a MP do salário mínimo, caso a Câmara resolva manter o valor de R$ 275 aprovado pelo Senado. "Os líderes acreditam que é possível aprovar o valor de R$ 260 e até ter uma margem de votos superior à da primeira votação da MP na Câmara", disse ontem o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, depois de se reunir com João Paulo para marcar a votação da MP. Na Câmara, o valor de R$ 260 para o salário mínimo foi aprovado por 266 votos a favor, 167 contra e 6 abstenções. Na quinta-feira, os senadores aprovaram o mínimo de R$ 275 por 44 votos a favor, 31 contra e 1 abstenção. "Sabemos que o Senado sempre foi uma Casa mais conservadora, onde um governo progressista como o do presidente Lula teria mais dificuldades de alcançar a maioria", argumentou o ministro. A MP já está trancando a pauta da Câmara. João Paulo enviará telegramas a todos os deputados, informando-os da votação da MP na terça-feira, dois dias antes da festa de São João - que costuma afastar parlamentares de Brasília, que vão para as comemorações no Nordeste. "Imagino que a Câmara tende a reafirmar os R$ 260", disse João Paulo. Apesar do otimismo, ele ressalvou que a previsão de aprovação dos R$ 260 pode não se concretizar. "Já errei recentemente e posso errar de novo." Há um mês, João Paulo foi derrotado na votação da emenda constitucional que permitia a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. PreocupaçãoEm várias conversas com aliados, Lula mostrou-se preocupado com o "clima de já ganhou" que está tomando conta de integrantes do primeiro escalão do governo em relação à possibilidade de retomar na Câmara o valor de R$ 260. "Não dá para achar que, como já foi aprovado o salário mínimo de R$ 260 uma vez na Câmara, vai ser aprovado agora de novo", alertou ele. "O presidente pediu tranqüilidade e calma e nada de crise. Temos de olhar para frente", disse o líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), após se reunir com Lula. O presidente já avisou aos líderes que não quer se envolver nas negociações para aprovar a MP na Câmara, como ocorreu no Senado. Na tentativa de conquistar votos, Lula telefonou para vários senadores pedindo que votassem a favor do mínimo de R$ 260, sem obter sucesso. Se a Câmara aprovar o mínimo de R$ 275 e Lula vetar a MP, o mínimo que ficaria valendo é o de R$ 240, que vigorou até 30 de abril. Mas, segundo um auxiliar direto do presidente, o mínimo não pode voltar a valer R$ 240 porque isso acabaria ferindo o princípio da irredutibilidade de vencimentos. Desde 1.º de maio, os benefícios da Previdência já são pagos com base no mínimo de R$ 260. A expectativa é que Lula edite uma nova medida provisória do mínimo, caso seja obrigado a vetar os R$ 275. DificuldadesOs líderes aliados apostam que será grande a dificuldades para manter o mínimo de R$ 260 na Câmara, depois que os senadores aprovaram valor maior. "Esse é um fato novo. Temos dificuldades muito maiores do que disposição para validar o que o governo pretende", contou o líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR). Ele e o líder do PT, Arlindo Chinaglia (SP), são a favor de que Lula vete a MP, caso a Câmara aprove o valor de R$ 275. "A caneta exerce o papel da coerência", observou Borba.

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