Lula avisa PT que Palocci é seu candidato ao governo paulista

Presidente já discute com aliados, certo de que ex-ministro não será punido pelo STF por escândalo do caseiro

Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de março de 2009 | 00h00

A bordo do Aerolula, no voo que o levou de Campinas a Brasília na última segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado explícito para uma plateia de petistas e assessores palacianos sobre o nome da sua preferência para disputar o governo de São Paulo, em 2010: é o do deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP).Certo de que Palocci não será responsabilizado no Supremo Tribunal Federal (STF) pela violação direta do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, Lula já discute com aliados a candidatura do deputado ao governo paulista.O presidente da República tem tratado do assunto com regularidade. No voo para Campinas, ele reiterou a sua posição em favor de Palocci numa conversa em que o interlocutor direto era o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) - mas o diálogo foi mantido diante de vários ministros e assessores especiais.TRÂNSITOLula disse ao senador Mercadante, outro potencial candidato ao governo paulista pelo PT, que Palocci é a pessoa que reúne as principais credenciais para tentar suceder ao governador José Serra (PSDB). Na opinião do presidente, Palocci é conciliador, consegue dialogar com a classe média, tem um bom trânsito com o empresariado paulista e sabe como abordar o povo. A outros interlocutores, Lula também costuma lembrar que o ex-ministro da Fazenda já demonstrou sua competência e lealdade.Mercadante ponderou, no Airbus da Presidência, que, mesmo absolvido pelo STF, Palocci poderá enfrentar, numa campanha eleitoral muito disputada, a ressurreição do caso Francenildo e os processos que investigaram suas gestões na Prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996 e 2001-2002) - compras supostamente superfaturadas e suposto pagamento de propina nos contratos do serviço de limpeza urbana.PESQUISALula ouviu atento, mas disse que Palocci tem jogo de cintura e saberá sair das dificuldades. Segundo relatos repassados ao Estado, o presidente avalia que esse passado não é motivo para Palocci se intimidar. E, em frase emblemática, sentenciou: "Fosse assim, durante as denúncias do mensalão, eu teria ficado trancado no Palácio da Alvorada".Segundo informações obtidas pelo Estado, pelo menos um instituto de pesquisa está preparando uma grande sondagem de opinião pública, em nível nacional, para medir a receptividade do nome de Palocci entre o eleitorado.Publicamente, o presidente Lula evita tratar do assunto para não atrapalhar o julgamento do processo de Palocci, ou dar a impressão de que está pressionando o Supremo na sua decisão. Mas, reiteradamente, fala sobre as chances de Palocci assumir o cargo sucedendo a Serra.Procurado, o senador Mercadante disse que não comentaria nenhum tipo de conversa mantida com o presidente da República. Negou até mesmo que tivesse tratado de candidatura Palocci com Lula.No momento, Palocci é apontado como o único capaz de unificar o partido no Estado, além de contar com o apoio da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata à sucessão de Lula.Há outros nomes no partido, como o do ministro da Educação, Fernando Haddad, mas eles só serão avaliados se o Supremo aceitar a denúncia do Ministério Público contra o ex-ministro.ANTECEDENTESA trajetória política de Palocci sofreu um revés em 2006, quando estourou o escândalo do caseiro Francenildo, revelado pelo Estado. De acordo com Francenildo, Palocci era um assíduo frequentador da chamada mansão da "República de Ribeirão Preto", em Brasília. No local, pessoas ligadas ao então ministro e empresários de Ribeirão Preto beneficiados por contratos superfaturados com a cidade paulista, onde Palocci fora prefeito, fariam partilha de dinheiro.O escândalo custou a demissão de Palocci em março de 2006, já que, depois da denúncia, a conta bancária do caseiro na Caixa Econômica Federal foi violada por órgãos do governo. A operação tinha como objetivo apurar a suspeita de que o caseiro fizera a denúncia a soldo da oposição, o que não ocorreu.

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