Lula avalia com cautela o crescimento da economia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, no programa Café com o Presidente, que recebe com otimismo, mas também com cautela, a retomada da atividade econômica simbolizada pelo crescimento recorde da produção industrial, divulgado na última quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Nós queremos que o modelo de crescimento da economia brasileira seja um crescimento sustentável, seja um crescimento que se dê durante vários anos seguidos. Nós não queremos aquele crescimento que cresce um ano e, no ano seguinte, não cresce mais", afirmou o presidente ao justificar sua cautela. Lula reiterou que, diante disso, o governo tem trabalhado com muita paciência "Estou otimista, mas consciente que temos que trabalhar muito mais para que a economia cresça de verdade, de forma sustentável e duradoura. Esse é o nosso objetivo e nós vamos fazer isso. Nós temos apenas que ter consciência que estamos no caminho certo", ressaltou, em entrevista ao jornalista Luiz Farah Monteiro, da Radiobras. O programa foi um balanço de 18 meses de governo.O presidente começou sua fala afirmando que, nesses 18 meses, tem trabalhado duro para "arrumar a casa" e o atual desempenho da economia já é fruto desse processo. "O crescimento que estamos vivendo não aconteceu agora. Ele vem acontecendo desde setembro do ano passado, mês a mês, um pouquinho cada mês, mas de forma sustentável até chegar agora e aparecerem esses números que a imprensa publicou", disse Lula.Ao comentar a informação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de que as empresas do setor operam com 82% da capacidade instalada, o presidente avaliou que "os empresários estão acreditando no Brasil, estão acreditando na política que o governo está colocando em prática e começam a recontratar trabalhadores com carteira profissional assinada", afirmou o presidente. "Nós vamos trabalhar para que a gente tenha capacidade instalada de 100% e, ao mesmo tempo, trabalhar para que novos projetos de indústria sejam construídos no Brasil", comentou.O presidente sustentou que o Brasil nunca teve tanto crédito disponível como tem hoje para a agricultura, para a agricultura familiar e para as pessoas físicas, incluindo a modalidade do crédito descontado na folha de pagamento dos trabalhadores. "Os bancos têm emprestado dinheiro a juro mais barato, o microcrédito está crescendo, o BNDES tem muito dinheiro para investimento para empresas que têm projetos para fazer a economia brasileira crescer, para gerar empregos, para distribuir renda", assegurou Lula.Aspectos sociaisNo plano social, o presidente destacou que até o final do ano, cerca de 6,5 milhões de famílias estarão incluídas no bolsa-família. " Chegaremos em dezembro de 2005 com 8,7 milhões de famílias e, se Deus quiser, chegaremos em 2006, em dezembro, com as 11 milhões de famílias recebendo o bolsa-família, ou seja, através do programa Fome Zero", previu o presidente."E vamos trabalhar muito, pode ficar certo que, se depender de mim, será 24 horas por dia, de domingo a domingo, porque eu acho que o Presidente da República tem que ser exemplo. Acho que os empresários brasileiros têm que acreditar no Brasil, acho que o povo brasileiro precisa acreditar no Brasil, porque assim o Brasil dará certo", concluiu.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.