Lula atropela propaganda de aliado em PE

Presidente contradiz publicidade do Estado de que seria primeiro do NE a universalizar energia

Angela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

02 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio da Silva derrubou ontem à noite a propaganda do governo de Pernambuco, que anunciara ser o primeiro Estado do Norte e Nordeste a universalizar a energia elétrica, passando a ter a infra-estrutura necessária para atender a todas as regiões do Estado - das cidades às mais longínquas zonas rurais. Em seu discurso, o presidente lembrou que três Estados nordestinos - Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas - também já cumpriram essa meta, dentro um total de 12 Estados brasileiros, incluindo Pernambuco.Lula disse que se fosse discutir o programa a partir de sua viabilidade econômica jamais ele teria sido posto em execução. "Uma ligação em uma casa chega a custar R$ 5 mil, porque a distância cada vez maior aumenta a quantidade de cabos e fios", ressaltou. "Levamos de graça, colocamos três tomadas, três bicos de luz e damos o pontapé inicial."Em seu discurso, o governador Eduardo Campos observou que o Luz para Todos nasceu há 20 anos, em Pernambuco, a partir da decisão política do seu avô, o governador Miguel Arraes (morto em 2005). Foi Arraes, ressaltou, que em 1987 pôs como prioridade levar um ponto de luz à população carente das zonas rurais do Estado. Em 2003, ele foi adotado por Lula, com o mesmo nome, no âmbito nacional.DEMANDAO coordenador estadual do programa, o secretário estadual de Recursos Hídricos, João Bosco Tenório, disse que a universalização não significa que 100% das residências ou famílias pernambucanas tenham passado a contar com energia elétrica. "Essa demanda não termina nunca, sempre haverá novas residências sendo construídas e novas famílias demandando energia elétrica", ponderou o secretário. "O que se comemora é o fato de que a infra-estrutura está consolidada e disponível para todos." Há ainda 8 mil novas ligações em execução no Estado. "Fizemos mais que o previsto, mas há novas demandas, é um trabalho contínuo", observou Tenório, reforçando o discurso do presidente quanto à atenção com a continuidade do programa.

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