Lula atraiu atenção para ´história embaraçosa´, diz <i>Economist</i>

A revista britânica The Economist, que chega às bancas nesta sexta-feira publica uma reportagem sobre a decisão do governo brasileiro de expulsar do país o jornalista Larry Rohter, correspondente do jornal The New York Times. Ilustrado com uma foto do presidente Lula com chapéu folclórico na Oktoberfest, o texto diz que o líder brasileiro "forçou a mídia internacional a prestar atenção em uma história embaraçosa que, de outra forma, teria desaparecido". A revista afirma que planejava dedicar o seu espaço para uma reportagem sobre os esforços do governo para lidar com a criminalidade no Rio de Janeiro, mas teve de mudar de assunto na última hora em vista da decisão de Lula de cancelar o visto de Rohter. A Economist diz que não surpreende o fato de Lula ter se irritado com a reportagem de Rohter ? que dizia que o hábito de beber do presidente é motivo de preocupação no Brasil. "De fato, as dúvidas sobre o comando que Lula tem do governo tem pouco a ver com os rumores sobre os seus hábitos de beber", diz a publicação britânica. O texto argumenta que "a resposta (de Lula) imitou a forma como as ditaduras se livram de seus críticos", e isso teria feito com que o presidente passasse do papel de vítima ao de algoz. A revista lembra ainda que Lula foi um líder sindicalista que enfrentou a ditadura militar, o último regime a expulsar um jornalista na história brasileira. "O governo pode ainda pensar melhor sobre a expulsão de Rohter, mas algum prejuízo já foi feito. A expulsão levanta mais questões sobre o discernimento de Lula do que qualquer coisa que o jornalista escreveu", conclui a matéria da Economist. Nesta quinta-feira, um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu uma liminar que garante a permanência de Larry Rohter no Brasil até que o mérito do caso seja analisado. A decisão foi tomada após um pedido impetrado pelo senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ). O presidente Lula disse a interlocutores que continua firme em sua decisão, mas relatos de Brasília sugerem que o governo estaria disposto a voltar atrás no cancelamento do visto do correspondente se o próprio jornalista ou o New York Times se retratassem.

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