Lula ataca PSDB por ADI contra Bolsa Formação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou seu discurso de improviso, no lançamento do Bolsa Formação, programa de concessão de ajuda financeira a policiais que fizerem cursos, atacando o PSDB por ter entrado com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI), no Supremo Tribunal Federal, pedindo a suspensão do benefício, por considerá-lo eleitoreiro. "Tem gente que não quer esse programa, e entraram no STF pedindo liminar para que isso não seja aprovado", desabafou ele. "Eu não sou candidato a prefeito. Só vai ter eleição (para presidente) em 2010 e não posso ser candidato. Então, qual o problema eleitoral deste programa?", indagou, respondendo que os partidos de oposição fazem isso "porque (as pessoas) estão desacostumadas com o governo fazendo as coisas que precisa fazer". E emendou: "Eles até acham absurdo o governo acertar e, graças a Deus, estamos acertando".Lula aproveitou ainda para indiretamente ironizar a polêmica travada, na semana passada, com o ministro do STF Marco Aurélio Mello, que endossou as críticas oposicionistas ao caráter eleitoreiro do programa Territórios da Cidadania. O presidente gerou protestos do Judiciário, quando disse que "seria bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele, o Legislativo apenas nas coisas dele, e o Executivo nas coisas dele". Lula comentou que o ministro Tarso Genro não se referiu à ação da oposição no STF contra as bolsas, mas ele o faria. "Não era para eu falar sobre isso porque sou presidente e não posso falar. Mas entraram com uma liminar dizendo que esse programa do bolsa (formação) não pode acontecer porque é eleitoral", reagiu Lula, sem citar que a ADI foi impetrada pelos tucanos no Supremo.Depois de defender os policiais, a quem chamou de "pobres serem humanos que ganham mal", e atacar os governos anteriores por não terem dado a devida importância para o tema, sem reconhecer que ele está no quinto ano de mandato, Lula comentou que todos acham que "as Polícias Militar e Civil podem cuidar de uma segurança que a política não cuida". Para ele, "é só analisar os últimos dez anos que chegaremos a um diagnóstico da violência". Segundo o presidente, este programa Bolsa Formação é mais uma política de seu governo para beneficiar os mais pobres, os trabalhadores que recebem menos. "A coisa mais fácil é cuidar dos pobres. Os pobres pedem pouco. Só querem comer, trabalhar, estudar e ter uma casinha", declarou ele, se vangloriando que "passou os últimos quatro anos consertando este País". De acordo com o presidente, "o País vive um momento quase excepcional, tem muita coisa pra fazer, mas está consertando coisas seculares".Ao reiterar que depois de pagar toda a dívida externa, "ainda sobrou R$ 8 bilhões", Lula comemorou que "a casa está arrumada" e que "a economia está crescendo". E emendou: "espero que a partir de 2010, quando vier o outro presidente, ele pegue a casa muito mais arrumada do que eu peguei e ele possa fazer muito mais do que eu fiz porque temos pelo menos 30 anos de dívida social com o povo". Em seguida, comentou que não só o policial é mal remunerado, mas também os professores. "Está cheio de gente mal remunerada", disse ele, completando que "poucos ganham muito e muitos ganham pouco", reconhecendo que "isso não é uma coisa que se conserte por decreto". E prometeu: "fiquem certos que vãos recuperar este País". Otimista, Lula, citando o Programa de Aceleração do Crescimento, avisou que seu governo está "construindo uma nova era", que vai levar "algum tempo para reverter" a degradação da sociedade, e afirmou que "não é hora de ficar procurando culpados pelas coisas, mas de fazer coisas novas para mudar coisas velhas que não deram certo no Rio, em São Paulo e em qualquer lugar". Em seguida, assegurou que daqui a alguns anos poderemos recuperar o padrão que já existiu de qualidade dos profissionais.

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