Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Lula assume negociação com partidos aliados

A pedido de José Múcio, presidente vai receber legendas e procurar aplacar disputa por cargos

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

03 de março de 2009 | 00h00

Preocupado com o reflexo que a disputa pela Comissão de Infraestrutura do Senado pode provocar na base aliada do governo, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, pediu ajuda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sob o argumento de que a queda-de-braço entre o PT e o PTB deixará cicatrizes, Múcio solicitou a Lula, na semana passada, que entre em campo para soldar a base governista, dividida em infindáveis brigas por cargos."Acho que o presidente, com a popularidade que tem, precisa se aproximar mais do Congresso", afirmou o ministro, que no ano passado chegou a pôr o próprio cargo à disposição de Lula, escancarando a contrariedade com o descumprimento de um acordo para a partilha de espaços na Petrobrás. Agora, diante do relato das novas dificuldades enfrentadas por ele, o presidente concordou em montar um calendário de reuniões com as bancadas de partidos aliados na Câmara e no Senado, a partir deste mês.A coalizão governista tem 14 siglas, mas Lula começará a conversar primeiro com as menores, como o PDT e o PV. O modelo será diferente das reuniões do Conselho Político, formado por presidentes e líderes de legendas simpáticas ao governo. "A ideia, agora, é criar uma agenda por semana, com todas as bancadas, por partido. Quem conversa com o presidente sempre fica satisfeito", diz Múcio, que nega estar preparando encontros para organizar barganha política. "Precisamos apenas curar as feridas, porque, numa disputa, as derrotas sempre deixam cicatrizes."O desfecho do impasse que atazana o Planalto ocorrerá hoje, quando será decidido quem comandará a Comissão de Infraestrutura do Senado. Se não houver acordo, a decisão será no voto. O PT não abre mão do cargo e quer emplacar no posto a senadora Ideli Salvatti (SC). O problema é que, para se eleger presidente do Senado contra o PT, no mês passado, José Sarney (PMDB-AP) prometeu uma comissão ao colega Fernando Collor (PTB-AL), em troca do seu voto.Collor escolheu primeiro a de Relações Exteriores, mas teve de ceder a vaga ao PSDB. Na tarde de ontem, assegurava que desta vez não desistiria da cadeira também cobiçada por Ideli. A situação tornou-se constrangedora para Múcio porque, apesar de seu desejo de mudar para o PMDB, ele ainda é filiado ao PTB, partido que vive às turras com os petistas.Nem mesmo os argumentos do ministro de que a Infraestrutura é considerada estratégica para o PT, por causa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), fizeram o PTB recuar. O PAC é o xodó da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável candidata petista à sucessão de Lula, em 2010.Os aliados, no entanto, não estão unidos em torno da candidatura de Dilma: tanto o PTB como uma ala do PMDB ameaçam apoiar o governador José Serra, que postula a indicação do PSDB para concorrer ao Planalto."Precisamos de mais articulação na Câmara e no Senado e mais coesão na base aliada", admitiu o senador Aloizio Mercadante (SP), líder da bancada petista. Para o senador Renato Casagrande (PSB-ES), porém, Lula pouco pode fazer para reverter o quadro de paralisia do Congresso. "Falta ao Senado articular temas importantes e impor um ritmo de trabalho."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.