Lula: ascensão de líderes é vitória socialista

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o momento vivido pelo continente sul-americano na época em que foi eleito presidente, marcado pela ascensão ao poder de uma série de líderes de esquerda em outros países da região, foi uma "vitória" da esquerda. "Foi o período mais progressista e socialista. Nunca tivemos tanto crescimento, distribuição de renda e inclusão na América do Sul", disse.

GUILHERME WALTENBERG E GUSTAVO PORTO, Agência Estado

18 de julho de 2013 | 17h34

Segundo ele, a primeira decisão de sua administração, a partir de 2003, foi olhar para a América do Sul e Latina. "Outro ponto da política externa foi combater a subserviência do Brasil. O dado concreto é que eu cada vez mais acredito que se nós resolvermos nossos problemas viraremos um ator importante no cenário globalizado", disse Lula, em referência ao continente latino-americano. Para ele, após as mudanças que ressaltou ter realizado, há quem sinta falta do passado. "Setores conservadores sentem saudade do tempo em que o continente era subalterno."

No início de 2003, quando assumiu, frisou Lula, uma das primeiras ações levadas a cabo por sua administração foi levar ao Fórum de Davos - que reúne anualmente líderes da economia global - a ideia de que era possível vencer a fome. "Fui a Davos no primeiro mês de mandato e disse que era possível acabar com a miséria e a fome. Exatamente o mesmo que disse no Fórum Social Mundial no mesmo ano", afirmou.

Lula narrou também um encontro com o ex-presidente norte-americano George W. Bush, no início de seu governo, às vésperas da Guerra do Iraque (2003-2011). Segundo ele, Bush buscava aliados para o conflito, que ele rechaçou dizendo que a guerra que ele iria travar na sua administração era contra a fome. "Minha guerra é contra a fome. Essa é a guerra que eu quero vencer no meu mandato. O senhor faça a sua guerra e eu faço a minha", disse Lula.

Bem humorado, afirmou que continua viajando pelos países da América do Sul mesmo depois de sua saída da Presidência. "É o jeito de não encher o saco da Dilma e não dar muito palpite aqui" concluiu, em palestra intitulada "Brasil no mundo - Mudanças e Transformações", na conferência "2003-2013: Uma nova Política Externa", realizada na Universidade Federal do ABC (UFABC).

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