Lula aproveita posse de Múcio para elogiar Congresso

Depois de ter anunciado que vai entrar pessoalmente na coleta de votos para aprovar a prorrogação da CPMF até 2011, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a solenidade de posse do novo ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) para fazer rasgados elogios ao Congresso Nacional. "Não sei se existe no mundo um Parlamento mais compreensivo que o nosso, mesmo nas divergências. Nós não tivemos dificuldades insuperáveis para votar nenhum projeto importante que o governo mandou para o Congresso, para o Senado", afirmou o presidente. E acrescentou: "Muitas vezes, o que falta é a conversa certa, na hora certa, com as pessoas certas".O novo ministro minimizou as avaliações que o consideram fragilizado com a entrada de Lula na coordenação política e tratou a decisão como um soma de esforços: "Se o presidente está disposto, ele sabe, como gestor do Brasil, da responsabilidade da aprovação da CPMF, que são R$ 40 bilhões. Não é um dinheiro qualquer, é imprescindível. Esta é apenas uma responsabilidade de quem está no comando do País", afirmou José Múcio.Já falando como negociador político, o presidente Lula tratou as divergências como "naturais", apesar de às vezes parecerem "uma guerra". E sentenciou: "Eu não acredito que haja problema de difícil solução". Em mais um rodada de elogios aos parlamentares, Lula agradeceu "a coragem (deles) de fazer mudanças", referindo-se à aprovação de reformas já realizadas e avisou que "haverá mais trabalho pela frente". Otimista, o presidente chegou a antever que Executivo e Legislativo "irão viver mais um grande momento na relação".Além de elogiar o Congresso, Lula falou bem dos ministros, do que entrava e do que estava de saída. Depois de citar as dificuldades do cargo, lembrando que por ali já passaram cinco ministros, o presidente destacou a "experiência" de José Múcio e a "elegância na disputa política". Disse que ele vai ter de trabalhar 24 horas por dia.Lula gastou os primeiros minutos de seu discursando referindo-se ao ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, que não estava presente. Contou que ele deixou o cargo magoado por não ter sido ouvido em nenhum momento do processo que lhe indiciou e comentou que ele achou melhor deixar a função para se defender "do que criar constrangimento para ele próprio como ministro, de ter de responder todo dia alguma pergunta". E prosseguiu: "Espero que ele consiga o intento e seja julgado logo e que ele possa provar a sua inocência".Ao discursar, José Múcio se emocionou ao agradecer sua família, na pessoa da sua mãe, "minha primeira eleitora". O presidente Lula, por sua vez, emendou dizendo que, se morasse em Pernambuco, Estado do novo ministro, seria o primeiro eleitor dele.#ET

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