Lula aposta em blindagem do Brasil contra crise global

O presidente Luiz Inácio Lula da Silvamostrou nesta terça-feira que continua otimista em relação àcapacidade da economia brasileira de enfrentar a crisefinanceira global, apesar do efeito negativo das turbulênciassobre o mercado de capitais nacional. Na avaliação do presidente, o impacto da crise sobre aeconomia do país será "quase imperceptível". Lula chegou a declarar que "até agora" a crise nãodesembarcou no Brasil, apesar de o principal índice da bolsa devalores de São Paulo ter amargado uma queda de mais de 7 porcento na segunda-feira. "Que crise? Vai perguntar para o Bush", afirmou opresidente a jornalistas, no Palácio do Planalto. Mais tarde, em entrevista coletiva concedida no Itamaraty,antes de oferecer almoço ao primeiro-ministro da Noruega, Lulaironizou o elemento que desencadeou a crise que dura mais de umano. "O cassino imobiliário era muito maior do que a gente podiaimaginar... a cada dia há uma surpresa", disse. Para Lula, o Brasil tem maiores condições de enfrentar aatual situação porque conta com mais de 200 bilhões de dólaresem reservas internacionais e reduziu a importância do comérciocom os Estados Unidos, por conta da maior diversificação dosmercados compradores de produtos brasileiros. "Essa diversificação nos permitiu estarmos tranquilos,porém atentos, como um médico responsável que faz a cirurgia noseu paciente e não vai embora para casa, fica lá paraacompanhar a reação", complementou. O fortalecimento do mercado doméstico também foi apontadopelo presidente como um dos elementos que podem ajudar o país aenfrentar a situação. Lula agradeceu a Deus pelo fato de o sistema financeirobrasileiro não ter se envolvido no mercado de hipotecas de altorisco norte-americano, e voltou a cobrar uma reação do governoBush. "Os Estados Unidos precisam resolver essa crise, porqueobviamente tendo uma recessão nos Estados Unidos muito profundaela pode atingir o mundo inteiro", disse. ATENÇÃO SEM ALARME Segundo um importante interlocutor do presidente, o governosegue atento, mas não alarmado. "Estamos há um ano sem nos assustar com o barulho do tiro",disse a fonte, que pediu para não ser identificada. "Osfundamentos econômicos têm dado solidez ao país para enfrentara crise com tranquilidade", acrescentou. Na véspera, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e opresidente do Banco Central, Henrique Meirelles, utilizaram omesmo argumento quando tentaram dar um sinal de tranquilidadeaos investidores, diante da reação negativa dos investidores aoanúncio da liquidação do banco de investimentos norte-americanoLehman Brothers, a venda da Merrill Lynch para o Bank ofAmerica e as dificuldades financeiras enfrentadas pelaseguradora AIG . A volatilidade ainda era marca presente nos mercados nestaterça-feira. A decisão do Federal Reserve de manter a taxabásica de juro dos EUA em 2 por cento chegou a provocar umaacentuação nas perdas das ações em Wall Street. Mas a possibilidade de elaboração de um pacote de ajudapara a AIG garantiu um momento de alívio aos mercados. Osprincipais indicadores de Wall Street fecharam em alta de maisde 1 por cento. (Reportagem adicional de Natuza Nery)

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