Lula aposta em acordo para enfraquecer CPI

Embora faça críticas à oposição, Planalto está tranquilo nos bastidores porque espera segurar a instalação de investigação sobre Petrobrás

Christiane Samarco e Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

Apesar do jeito irritado com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva critica publicamente a oposição, acusando-a de "irresponsabilidade" por ter criado a CPI da Petrobrás, no bastidor o governo está tranquilo. São três as fontes da tranquilidade do Planalto: a esperança de conseguir segurar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito até o depoimento do presidente da estatal, Sérgio Gabrielli, no Senado; um acordo, puxado pelo DEM e o PMDB, para que os líderes não indiquem os nomes para instalar a CPI, se Gabrielli for bem no depoimento; e, por último, a crença de que não há clima político para fazer uma "CPI do fim do mundo", porque a própria oposição promete uma "investigação light".Com Lula em viagem pela Arábia, China e Turquia, e Gabrielli na comitiva, as lideranças governistas vão insistir no início desta semana que havia um acordo com a oposição para não instalar a CPI enquanto o presidente da Petrobrás não participasse da audiência pública de três comissões (Assuntos Econômicos, Infraestrutura e Constituição e Justiça). O PSDB, argumentarão os governistas, arrancou a leitura do requerimento da CPI proposta pelo tucano Álvaro Dias (PR) - na sessão aberta sexta-feira com apenas quatro senadores - à revelia desse acordo. Uma reunião do DEM, marcada para terça-feira, pode ajudar a reforçar a estratégia do Planalto de segurar a instalação da CPI até o depoimento de Gabrielli.PARA DEFENDEROntem, o líder do DEM, senador Agripino Maia (RN), disse que "a maioria da bancada democrata tem posição cautelosa, de ouvir primeiro Gabrielli e só instalar a CPI depois." Na avaliação de Agripino, Gabrielli deveria ter cancelado a viagem com Lula e acertar imediatamente o depoimento no Senado. "Neste momento, o compromisso interno é mais importante que o compromisso externo. Se ele não convencer, o compromisso de instalar a CPI reúne toda a bancada do DEM". A ordem, admitiu o líder do DEM, para quem o procurou na noite de sexta-feira para se aconselhar sobre retirar ou não o nome da lista de apoio à CPI, foi esta: "Aguardem até terça-feira". O prazo de retirada de assinaturas terminou à meia-noite de sexta, mas os líderes podem fazer um acordo para não instalar a comissão.Para o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), "a CPI não vai botar uma empresa da importância da Petrobrás no banco dos réus sem nenhuma mobilização da opinião pública".O governo acredita que está diante - se a comissão for mesmo instalada - de uma CPI que não gera crise política ou problemas maiores. "A investigação não é para destruir a Petrobrás, é para defender a Petrobrás", resumiu ao Estado o presidente dos tucanos, o senador Sérgio Guerra (PE).

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