Lula apóia Estado palestino "democrático e coeso"

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou hoje, em discurso na abertura do Planet Lebanon 2003, em São Paulo, que o Brasil apóia a criação de um estado nacional palestino independente, mas "democrático e coeso e que viva em paz com seus vizinhos, principamente com Israel". Em seu discurso, Lula informou que possivelmente em dezembro fará uma visita oficial a alguns países do Oriente Médio e destacou que o Líbano será a "porta de entrada da maior comitiva brasileira que já visitou o mundo árabe". Ao abrir a conferência do Planet Lebanon, que acontece até terça-feira, o presidente ressaltou que o Líbano tem grandes possibilidades de ser uma plataforma do comércio entre Brasil e o Oriente Médio, respondendo a uma sugestão do primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, que participou da abertura do evento, realizada no Clube Monte Líbano. O Brasil, destacou Lula, pode ser a porta de entrada do Líbano na América do Sul. O presidente lembrou que ao Brasil cabe apenas 1,5% de participação em todas as exportações do Oriente Médio. Lula destacou ainda que o objetivo de sua viagem ao Oriente Médio é mostrar aos árabes o interesse do Brasil em manter uma relação mais forte com a região. O presidente afirmou também que, nos primeiros cinco meses de governo, "trabalhou intensamente para mostrar a vontade inequívoca com a integração da América, com a reativação das relações com a África e também com o mundo árabe". "Quero mudar a qualidade dos nossos laços com os árabes", disse Lula a uma platéia de 1,7 mil libaneses e descendentes que participaram da abertura do Planet Lebanon. Lula ressaltou quer vai procurar novas parcerias com países que "nas administrações anteriores eram prioridade, mas apenas na retórica". Em seu discurso presidente brincou com a platéia ao afirmar que está "umbilicalmente" ligado ao Líbano. "De um simples check-up até uma cirurgia, estou na mão de um libanês", se referindo, por exemplo, ao cardiologista Roberto Kalil Filho. Portão Durante a abertura do Planet Lebanon, o primeiro-ministro libanês propôs ao governo brasileiro que o Líbano seja o portão para a entrada de produtos brasileiros no Oriente Médio e nos outros países onde estão espalhados outros 16 milhões de libaneses e seus descendentes. Em troca, sugeriu que Brasil se torne um grande mercado para os produtos libaneses e para os derivados de petróleo. Na reunião que terá terça-feira com Lula em Brasília, Hariri vai propor oficialmente que o Líbano seja a ponte entre o Brasil e o Oriente Médio. Em seu discurso na abertura do evento, o primeiro-ministro afirmou que aumentou ainda mais o respeito a Lula depois da reunião do G-8, realizada na cidade francesa de Evian, no início deste mês."Apoiamos a proposta do presidente Luis Inácio Lula da Silva, que sugere que um percentual das receitas obtidas com as vendas de armas forme um fundo de combate à fome", disse ele. "Lula é um representante considerado digno no mundo inteiro, pois está preocupado em combater a fome não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro", afirmou o primeiro-ministro. A abertura do evento ainda teve a participação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e da prefeita da capital, Marta Suplicy (PT), entre outras personalidades, como senador Romeu Tuma (PFL-SP) e o ex-prefeito Paulo Maluf, os dois de origem libanesa. O Planet Líbanon é parte da estratégia do país árabe de estreitar as relações comerciais com o Brasil, onde vivem cerca de 8 milhões de libaneses e descendentes.

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