Lula anuncia seus novos ministros

Depois de vários meses de articulações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em discurso iniciado às 17h20 desta sexta-feira, os novos nomes do seu Ministério. São os seguintes: Educação - Tarso Genro (PT)Comunicações - Eunício Oliveira (PMDB)Previdência ? Amir Lando (PMDB)Desenvolvimento Social e de Combate à Fome (fusão de Assistência Social e Segurança Alimentar) - Patrus Ananias (PT)Ciência e Tecnologia - Eduardo Campos (PSB)Trabalho e Emprego - Ricardo Berzoini (PT)Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ? Jaques Wagner (PT) Secretária de Coordenação Política e Assuntos Institutucionais (criada agora, a partir de desmembramento de funções da Casa Civil) ? Aldo Rebelo (PCdoB)Secretaria Especial de Política para Mulheres ? Nilcéia Freire O ex-ministro das Comunicações, Miro Teixeira (PDT), será líder do governo na Câmara. O ex-ministro da Educação, Cristovam Buarque (PT), demitido pelo telefone hoje, volta a ocupar sua cadeira no Senado. Super-dolorosoNo seu pronunciamento, o presidente reconheceu que é "super-doloroso", tanto do ponto de vista político quanto do ponto de vista humano, ter de demitir um companheiro de governo. "É sempre muito difícil você dizer a um timoneiro que ele não estará mais do seu lado." Lula ressaltou, entretanto que, quando se é eleito presidente de um País como o Brasil, as relações de amizade não podem prevalecer sobre decisões políticas. "O governante não pode permitir que a relação de amizade seja sua prática política para manter o o governo", afirmou. Destacou que o papel de chefe de Estado é "fazer coisas boas, mas, muitas vezes, lidar com coisas ruins". O presidente comentou que a mudança no Ministério vem sendo trabalhada dentro do governo há algum tempo, mas que somente hoje as condições políticas permitiram o anúncio das mudanças. Ele lembrou que não queria fazer uma mudança "em conta gotas" e garantiu que, ao final da solenidade que está começando agora, a reforma ministerial "estará concluída, a não ser que aconteça algo superior que obrigue o governo a fazer outras mudanças". Rota de crescimento O presidente aproveitou a oportunidade para dizer que espera que este ano o governo possa aperfeiçoar tudo aquilo que não conseguiu fazer no ano passado. "Este ano o Brasil entrou numa nova rota, na rota de desenvolvimento, e não temos tempo para coisas menores", afirmou. Aos novos ministros, disse que deseja que cada um deles tenha consciência de que existe uma política de ministro de governo, e que existe uma política de governo para o Brasil.Ele lembrou que 2003, seu primeiro ano de governo, foi um ano muito difícil, em que o governo trabalhou "de forma unitária, como uma verdadeira equipe no bom sentido, atuando com entrosamento e responsabilidade". Ele tornou a enfatizar que quer que o povo brasileiro seja tratado não como um povo que vive num país subdesenvolvido. "A chance chegou, e o Brasil precisa segurá-la com unhas e dentes", afirmou. Wagner na coordenação de governoO presidente informou, no discurso, que o novo ministro-chefe da Secretaria do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, de agora em diante passará a fazer parte da coordenação de governo. Ao anunciar os nomes, Lula fez alguns elogios. Ele elogiou o futuro ministro das Comunicações, deputado Euníco Oliveira (PMDB-CE), destacando seu trabalho na votação das reformas constitucionais pelo Congresso, no ano passado. Também disse que Miro Teixeira, novo líder do governo na Câmara em lugar de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ocupou "com galhardia" o Ministério das Comunicações. Racionalidade só, nãoO presidente concluiu seu discursocom uma mensagem de otimismo em relação ao futuro do governo e do País. Segundo ele, o ano de 2004 ser á "infinitamente melhor do que o ano passado". "E o ano que vem será infinitamente melhor que este ano, e 2006 será infinitamente melhor que 2005", acrescentou. O otimismo de Lula foi calcado em sua análise de que, mesmo num ano em que a maré "estava revolta e o casco do navio não era seguro, ainda assim o governo não falhou". O presidente disse ainda que espera terminar seu mandato e poder voltar às portas de fábricas, onde nasceu para a política, e poder cumprimentar seus companheiros "com a leveza do ser humano que cumpriu o que prometeu, que cumpriu aquilo que o fez ser eleito presidente da República". Lula disse que seu governo saberá respeitar a racionalidade do cérebro e a frieza dos números, mas que o Brasil será, sobretudo, governa do "com muito coração". "Isso eu garanto a vocês", disse Lula, ao encerrar o discurso. Para ler mais sobre as mudanças no Ministério: O discurso de Lula Lula anuncia seus novos ministros Pelé também foi substituído, exemplifica Lula, em seu discursoHouve ?divulgação exagerada? sobre a saída de Cristovam, queixa-se Lula, em seu discursoOs novos ministros falamNovo Ministério do Desenvolvimento dará continuidade aos projetos, diz Patrus Eunício Oliveira, das Comunicações, promete respeitar contratosAgora no CDES, Jaques Wagner promete lutar por mais empregoTarso, agora na Educação, destaca cautela e dificuldades

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