Lula anuncia reajuste do Bolsa-Família e merenda para jovens

Presidente se compara a Getúlio: ´Quero saber quem esteve tão perto dos pobres´

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h25

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na noite desta terça-feira, 3, durante abertura da III Conferência Nacional de Segurança Alimentar, o aumento do benefício do Bolsa-Família em 18,25% passando o rendimento médio pago às famílias carentes de R$ 62 para R$ 72. O aumento, neste ano, vai representar um gasto adicional de R$ 400 milhões e em 2008 o desembolso anual será de R$ 1,3 bilhão. Lula anunciou também que o governo vai começar a distribuir merenda escolar nas escolas de ensino médio. O custo este ano, do novo programa, por ano, será de R$ 362 milhões e 8,3 milhões de jovens que fazem o segundo grau serão beneficiados. No discurso, em tom de desabafo, Lula lembrou que seu governo "foi execrado", pela direita e pela esquerda quando instituiu o Bolsa-Família, mas ressaltou que este era o caminho possível para construir o Brasil que queria. E lembrando mais uma vez o ex-presidente Getúlio Vargas, esbravejou: "a verdade nua e crua é que poucas vezes se pensou em política social como pensamos. Tirando Getúlio Vargas quero saber quem esteve tão perto dos pobres". Em seguida, reconheceu que não fez tudo o que queria, mas o que podia.O presidente Lula salientou que ainda há muito a ser feito, mas que "não se pode perder a noção das conquistas que a gente já teve". Para dizer que as coisas estão melhorando, ele comparou: "estamos subindo a escada rolante". Ainda em tom inflamado, Lula comentou que "não fez a reforma agrária que precisa fazer", mas atacou o governo anterior comparando e dizendo que fez muito mais. Declarou também que o cadastro do Bolsa-família que existia antes, "não era sério" e que "pela primeira vez tem um cadastro que merece respeito".Mas, ainda assim, lembrou Lula, sempre existe, no meio de gente séria, picaretas, que se beneficiam indevidamente do programa. "É preciso estar vigilante", avisou ele, ao esbravejar dizendo que "não é possível que uma pessoa não tenha vergonha na cara de tirar R$ 70 da boca de alguém que está passando fome".PACPouco antes, durante cerimônia de anúncio de medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de Saneamento e Habitação, no Palácio do governo, também em Fortaleza , o presidente disse que estava "feliz", porque o País vive "um momento significativo muito bom", que "muita gente não acreditava" que isso poderia acontecer. Mas avisou que "isso só é possível, porque, no momento em que foi preciso comer o pão que o diabo amassou, nós comemos sem resmungar", disse. "No momento em que era preciso fazer as coisas que tínhamos de fazer para colocar a economia brasileira nos eixos, nós o fizemos. E sempre dissemos que em economia não há mágica, há seriedade, determinação e objetivo bem definido. Daí, os resultados de hoje", acrescentou o presidente.Segundo ele, o País está agora "colhendo os frutos" dessa política: "O PAC é o mais planejado programa de investimentos já feito. Este país está preparado para as mudanças e só está preparado porque fizemos bem o nosso dever de casa. Duvido que em 118 anos de República o Brasil tenha vivido um momento tão importante como este. É verdade que (no passado) tivemos crescimento de 14%, mas a inflação era de 20%, e o salário mínimo não subia. Duvido que, nos últimos 40 anos, tenham sido investidos R$ 40 bilhões em saneamento."

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