Lula anuncia que quer aproximação com a oposição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira a intenção de conversar com a oposição para discutir a aprovação no Congresso Nacional de projetos de interesse do País. Lula disse que vai conversar com parlamentares e dirigentes oposicionistas assim que terminar a rodada de encontros com os partidos da coalizão.Lula comentou sobre a aproximação com a oposição ao chegar ao jantar com cerca de 200 peemedebistas, entre governadores e parlamentares, na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O presidente disse que pretende consolidar, com a atual aliança, "um novo projeto político para o país" e prometeu acabar com as alianças de curto prazo. "As alianças eminentemente ocasionais, em função de um projeto ou outro, são deformações. Nós achamos que temos uma oportunidade enorme, com o PT, PMDB e outros partidos aliados, de estabelecer uma aliança mais sólida, com mais objetivos", disse. "Pretendo conversar com os partidos de oposição, já tinha dito ao ACM que quero conversar com todo mundo. Há projetos no Congresso e o objetivo de todos nós é fazer o melhor para o Brasil".Embalados pelo discurso de Lula, os peemedebistas chegaram ao jantar animados e pregaram em coro o lançamento de um candidato próprio para a sucessão de Lula, em 2010. "A união do PMDB é possível e necessária e voltada para a governabilidade e para um projeto de poder em 2010", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR). "O PMDB é o parceiro preferencial para 2010, até sendo cabeça de chapa. Pensamos numa candidatura da coalização que o candidato seja do PMDB", disse o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP).ApetiteNo jantar, foram servidos ravióli com recheio de queijo brie ao molho de damasco, camarão ao molho de champanhe e filé ao molho de vinho do Porto, pratos acompanhado de vinho tinto chileno e uísque oito anos.O PMDB mostrou apetite. Líder do partido na Câmara e, por isso, com direito a um lugar na mesa do presidente da República, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), resumiu da seguinte maneira o espírito do partido na negociação para os cargos do segundo escalão: "Fizemos uma coalizão programática, uma coalizão para eleição do presidente da Câmara e agora faremos uma coalizão administrativa. No Congresso, teremos votações importantes pela frente. O PMDB garante ao governo os votos de 80 a 85 deputados, com certeza. A bancada tem que estar relaxada, bem atendida. Não é chantagem. É uma questão de tornar o partido mais parceiro."Alves pretende se reunir nesta quinta-feira com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para acertar uma divisão entre indicados de deputados e senadores. Depois, o deputado irá ao ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, encarregado de conduzir as negociações, que também esteve no jantar. "Vamos dizer quais são os cargos atuais que reconhecemos como do PMDB da Câmara, os que não são nossos, os que queremos manter e os que queremos mudar. Faremos em acordo com o Senado. Vamos ver o que eles (senadores) têm, o que eles querem", resumiu.Disputa pelo segundo escalãoO líder deu um exemplo concreto de como a disputa com o PT pelos cargos do segundo escalão não será fácil. Os petistas têm hoje os comandos do Banco do Nordeste e do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS). Os peemedebistas reivindicam o DNOCS e o próprio Henrique Eduardo Alves indicou o nome do ex-deputado estadual Elias Fernandes para a diretoria-geral. "São os dois cargos mais importantes no Nordeste. Não dá para o PT ficar com os dois. Não queremos briga, queremos a participação que o PMDB merece. O presidente Lula queria o PMDB unido. O jantar é uma prova da nossa união. Agora, queremos que o partido seja reconhecido", disse o deputado.Alves reiterou que, em 2010, o PMDB pretende lançar candidatura própria à presidência da República, "mas dentro da coalizão". "Depois de tanto tempo de frustrações, o PMDB se uniu e tem um projeto de poder", afirmou.O líder peemedebista no Senado, Valdir Raupp (RO), disse que, se os cinco ministérios do PMDB tivessem sido entregues com o que se apelidou de porteira fechada, em que o partido escolhe os ocupantes de todos os cargos, inclusive das estatais, "o problema estaria resolvido". Diante da necessidade de dividir os cargos cobiçados com as outras legendas aliadas, a solução sairá "num prazo de 30 a 90 dias", pelos cálculos do senador.

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