Lula anuncia medidas de ajuda financeira à Bolívia

Presidente formalizou empréstimo de US$ 323 milhões para a construção de uma estrada

AE-AP,

22 de agosto de 2009 | 17h51

Durante encontro com o colega Evo Morales, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou que seu governo aprovou um decreto que permitirá a Bolívia exportar até US$ 21 milhões em tecidos livre do imposto de importação ao mercado brasileiro.

 

Trata-se do mesmo montante das preferências tarifárias que os Estados Unidos tiraram da Bolívia em dezembro, por causa da falta de colaboração na luta contra as drogas e depois de Morales ter expulsado o embaixador norte-americano alegando suspeita de conspiração.

 

Lula fez o anúncio durante uma breve visita a Morales na região cocalera de El Chapare, no lado oriental da Bolívia. "São as preferências perdidas com os EUA", disse Lula, durante um discurso feito no estádio da pequena Villa Tunari para ao redor de 30 mil camponeses, a maioria cultivadores de coca. "O Brasil entende que não se pode desenvolver ignorando seus vizinhos", acrescentou.

 

"Saúdo os que nos concedem mercados para nossos têxteis sem nenhuma condição. Os Estados Unidos sempre condicionaram sua ajuda (a luta contra as drogas). Isso acabou", respondeu Morales. O governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também cedeu preferências tarifárias a Bolívia em têxteis. Morales encerrou seu discurso com a frase em quechua: "Kausachun coca, wainuchun yanquis" (viva a coca, morram os ianques).

 

Lula chegou a Bolívia para formalizar um empréstimo de US$ 323 milhões (quase de R$ 650 milhões) para a construção de uma estrada que fará parte de um corredor que vai ligar o oceano Atlântico ao Pacífico.

 

O avião do presidente brasileiro aterrissou em um pequeno aeroporto próximo a Villa Tunari. Em um carro conversível, Lula e Morales percorreram os quase 10 km até o pequeno vilarejo. Milhares de cultivadores e coca e camponeses da região saudaram a passagem dos dois líderes.

 

Depois, eles se reuniram em um estádio local da região que projetou Morales para a política. Dois mil cocaleiros da "policiais sindicais" reforçaram o efetivo policial e militar da segurança dos dois presidentes. Lula e Morales quebraram, cada um, uma vasilha de barro contendo uma bebida de milho em uma pedra, como sinal de início das obras.

 

Lula, que vestiu o poncho indígena, disse que agora na região "teremos uma geração de governantes com a convicção de que a única solução para nossos problemas é a integração e o estabelecimento de boas relações entre nós".

 

Antes dos discursos dos presidentes, os chanceleres David Choquehuanca, da Bolívia, e Celso Amorim, de Brasil, firmaram um memorando de entendimento que permite ao Brasil se unir a um comitê científico boliviano para a futura exploração do lítio no salar de Uyuni, onde estão as maiores reservas do mundo deste recurso considerado "estratégico".

 

O lítio é o mais leve de todos os metais e é usado atualmente em baterias de celulares, iPod, computadores portáteis e, no futuro, em milhares de automóveis elétricos e híbridos, que vão utilizar energia mais limpa que a dos combustíveis fósseis. O Brasil tem interesse em explorar esses recursos.

 

Os dois presidentes também decidiram reforçar seus acordos para a luta contra as drogas.

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