Lula anuncia ´mão forte´ do Estado contra terror no Rio

A final do discurso para as pessoas reunidas na Praça dos Três Poderes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez referência aos atentados no Rio de Janeiro e anunciou que a resposta a esse tipo de violência só pode ser "a mão forte do Estado". Ele qualificou os atentados de "prática terrorista mais violenta que já houve neste país". A recente onda de atentados no Rio por integrantes de organizações criminosas mataram 19 pessoas e feriram dezenas de outras. Depois de se declarar convencido de que sua eleição para presidente da República é obra de Deus, Lula afirmou que o que aconteceu no Rio na semana passada é resultado de um "processo de degradação da vida" no Brasil. Ele disse que não é o caso de se ficar culpando pela violência os governos federal, estaduais ou municipais e deu a entender que a responsabilidade pelo problema pode ser encontrada também na própria sociedade. "Há problemas que precisam ser resolvidos a partir da nossa casa", disse Lula. "A família tem que ser a base da sociedade pujante que queremos criar. Se dentro da família não se entenderem, tudo ficará mais difícil, e não será a política que vai resolver." A violência que cresce no Brasil é resultado, segundo o presidente, de "erros históricos acumulados por toda a sociedade brasileira, que precisa ajudar o Estado a encontrar uma solução definitiva." Lula disse não acreditar que exista, no Brasil, uma única pessoa capaz de compactuar com a "barbaridade que foi feita por alguns facínoras" no Rio de Janeiro. Mencionando a presença, no Palácio do Planalto, naquele momento, do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), Lula anunciou que vai discutir com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, medidas a serem adotadas em relação à violência no Estado: "O que aconteceu é terrorismo, e tem que ser combatido com a mão forte do Estado brasileiro. Quando um grupo de chefes (do crime), de dentro da cadeia, consegue dar ordem para uma barbaridade daquelas, precisamos discutir profundamente. Foi uma das práticas terroristas mais violentas que já houve neste País." Lula declarou-se em "um dia de profunda emoção" e disse que recebeu como "uma bênção de Deus" sua reeleição para a Presidência. "Eu digo sempre que chegar aonde eu cheguei saindo de onde eu saí... só posso dizer que existe um ser superior que decide os destinos de cada um de nós. Por isso, eu estou aqui." Lula declarou em seguida sua gratidão ao vice-presidente, José Alencar, à primeira-dama, Marisa Letícia, e à esposa do vice, Mariza Alencar, que, segundo ele, sempre o apoiaram. Agradeceu também aos "companheiros do Congresso Nacional, aos deputados e senadores que ajudaram que o debate político não atrapalhasse, que as coisas de interesse da Nação fossem votadas, e conseguimos aprovar praticamente tudo o que o governo enviou ao Congresso." Lula lembrou o dito popular segundo o qual Deus deu ao homem uma só boca para ele falar menos e dois ouvidos para ele escutar mais, mas continuou discursando. Afirmou que os próximos quatro anos serão "mais difíceis" do que os (quatro) do primeiro mandato. "Os próximos quatro anos serão de muito trabalho, vamos trabalhar mais do que no primeiro (mandato)", disse Lula, e voltou a referir-se à necessidade de "destravar" a economia. "Sabemos que precisamos destravar o País para que possa crescer e ter a quantidade que precisa de emprego - e emprego formal, com carteira assinada." Lula disse que os que acreditam no seu governo podem se preparar, porque "este País vai ter um crescimento vigoroso, mas não como no tempo em que o País crescia e nada se dava ao povo. O país precisa crescer na economia e na agricultura, mas tem que aumentar também a qualidade de vida das mulheres, das crianças e dos jovens, educação de qualidade, distribuição de renda, mais dignidade para o povo."

Agencia Estado,

01 Janeiro 2007 | 19h41

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.