Lula amplia trabalho iniciado por FHC, diz revista britânica

Em um editorial intitulado "A mágica de Lula", a revista The Economist faz um balanço do governo do presidente brasileiro. A revista afirma que o presidente Lula não é apenas um político carismático, mas também sortudo: "Ele prometeu governo limpo, presidiu sobre um escândalo de corrupção, e ainda parece capaz de obter uma segunda chance", disse a publicação britânica. "Ele tem o potencial de se tornar um dos mais notáveis políticos democratas da América Latina. Mas grande parte de seu trabalho ainda está a ser realizado." Segundo a publicação, Lula mostrou ser uma pessoa pragmática, afastando os temores que antecederam sua eleição.A revista afirma que os líderes do Partido dos Trabalhadores, para garantir maioria no Congresso, são acusados "de ter cortado as curvas com arrogância Leninista, pagando propinas a pequenos partidos de aluguel". Mas o escândalo, acrescenta, danificou mais o partido do que o próprio presidente, que continua contando com o apoio popular. "Mas se for reeleito, entretanto, Lula precisa limpar a casa não apenas para o benefício do Brasil, mas também para o interesse de toda a região".A revista observa que, se comparado a outros grandes países emergentes, como a China e Índia, o desempenho do Brasil continua a decepcionar. Mas em relação a seu passado recente, o Brasil está "indo bem", tendo, ao longo da última década, "finalmente começado a colocar os alicerces de um crescimento sustentado".Segundo a revista, Lula está ampliando um trabalho iniciado por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, "mas tem feito isso com considerável coragem". "Ele promoveu políticas monetária e fiscal rigorosas, mesmo sendo impopulares. Ao mesmo tempo, ele começou a enfrentar as desigualdades sociais com um massivo programa de redução da pobreza que atinge hoje 8,7 milhões de famílias", segue o editorial.A Economist afirma que o próximo presidente, seja ele quem for, deveria continuar essa trajetória. "O Brasil precisa reduzir sua dívida pública e criar mais espaço para investimento público e impostos mais baixos. Um fracasso nisso significará desnecessárias taxas de juros elevadas e deixará o país vulnerável a qualquer tropeço na economia mundial."De acordo com a Economist, a estratégia brasileira de "paciente construção de instituições e consenso" é muito importante "numa América Latina onde o populismo socialista de Hugo Chávez da Venezuela tem atraído mais atenção recentemente". Em alguns anos, acrescenta, "quando os venezuelanos verem a conta pela descapitalização que Chávez está fazendo em sua economia, os brasileiros deverão estar colhendo os frutos da responsabilidade fiscal na forma de um crescimento sustentável".A Economist observa que Lula, ao assumir o cargo, se ofereceu para ser uma "ponte" entre os participantes do Fórum Econômico Mundial de Davos e do Fórum Econômico Social. "Ele ainda pode influenciar esses dois mundos", disse a revista. "O Brasil precisa liderar pelo exemplo: reformando sua economia e ajudando suas legiões de pobres, vencendo a discussão política e cumprindo as regras, e não recorrendo à propinas e às soluções fáceis".

Agencia Estado,

02 de março de 2006 | 20h20

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