Lula ameaça romper se PT buscar 3º mandato, diz Dias

Presidente foi claro ao desautorizar qualquer iniciativa do partido de propor emenda constitucional

CIDA FONTES, Agencia Estado

08 de abril de 2008 | 17h08

O senador Osmar Dias (PDT-PR) disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - durante encontro desta terça-feira, 8, com a bancada de senadores do PDT, no Palácio do Planalto - ameaçou romper com o PT caso seu partido venha a propor o terceiro mandato para presidente da República. Segundo o relato de Dias, que participou da reunião, Lula foi claro ao desautorizar qualquer iniciativa do PT de propor emenda constitucional para lhe abrir a possibilidade de disputar nova eleição presidencial em 2010. "Eu não aceito. E, se (a emenda) for defendida pelo PT, rompo com meu partido", afirmou o presidente, de acordo com Dias.   Veja Também: Há suspeita sobre proposta de mandato de 5 anos, diz Aécio Lupi se diz contrário a 3º mandato e presta apoio a Aécio Proposta de petista abre brecha para 3º mandato de LulaO assunto foi levantado pelo líder do PDT, senador Jefferson Péres (AM), preocupado com a movimentação de um amigo do presidente, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), que já coletou assinaturas para apresentar emenda constitucional. Mas, antes que a idéia seja formalizada, a bancada do PT se reunirá, provavelmente ainda nesta terça, para definir uma posição.Lula, segundo Dias, falou também do quadro eleitoral deste ano e, dirigindo-se ao senador paranaense, perguntou se ele apoiaria a candidatura petista à prefeitura de Curitiba. O senador deixou claro que já tem compromisso com o PSDB, que o apoiou na eleição para governador, enquanto o presidente esteve na capital paranaense para reforçar a campanha do governador Roberto Requião, que foi reeleito por escassa margem de votos. Osmar Dias disse que, para prefeito de Curitiba, apoiará o tucano Beto Richa, que disputa a reeleição.O próprio Lula, ainda de acordo com o relato de Dias, tomou a iniciativa da conversa sobre eleições municipais, dizendo à senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) que ficasse tranqüila, pois não subirá nos palanques eleitorais onde haverá disputa entre os partidos aliados ao governo. Patrícia é candidata à prefeitura de Fortaleza e terá como principal adversária a prefeita petista Luizianne Lins (PT), que concorrerá a um segundo mandato.     Críticas   O presidente não poupou críticas à oposição durante a reunião. "A oposição não sabe o que quer e está transformando um banco de dados em dossiê", disse Lula, segundo relato de Dias. Ao fazer queixas ao comportamento do PSDB e DEM, o presidente se referia à iniciativa dos dois partidos de criar a CPI exclusiva no Senado, e reforçou a versão da base aliada, para quem o dossiê teria sido montado fora do Planalto.   Na conversa, Lula explicou que a Polícia Federal não poderá investigar a montagem do banco de dados, como defende a oposição. "Seria investigar um servidor público, que está cumprindo com suas obrigações", continuou o presidente. Osmar Dias disse que Lula reafirmou também a posição que vem sendo defendida pelos parlamentares aliados, segundo a qual, por questão de segurança, os gastos da Presidência da República são sigilosos. Para justificar a montagem do banco de dados, o presidente disse ter sido para controle do governo e da própria CPI dos cartões corporativos. Ele lembrou que os dados abrangem todos os ministérios e citou que os gastos do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan estão sendo coletados, como também do atual titular da pasta, ministro Guido Mantega.       Reforma Tributária   O presidente disse a senadores do PDT que vai "chamar de falso" o deputado que ficar contra a reforma tributária que está tramitando na Câmara. A declaração de Lula foi relatada, há pouco, pelo senador Osmar Dias (PDT-PR), um dos participantes do encontro.   Os senadores, segundo Dias (PDT-PR), afirmaram que a discussão da reforma tributária poderá ser prejudicada pelo grande número de medidas provisórias (MPs), uma vez que elas têm prioridade de votação sobre as demais proposições, nas duas Casas do Congresso. "Elas inundam o Congresso ", disse Osmar Dias ao presidente.

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