Lula alerta PT-RJ e diz que não quer ouvir mais vaias a Cabral

Recado do presidente se destinou à ala do PT próxima a Lindberg, que pretende disputar com Cabral o governo

Luciana Nunes Leal, AE

02 de setembro de 2009 | 19h01

Depois de defender em público o governador Sérgio Cabral (PMDB), vaiado durante solenidade de entrega de diplomas de qualificação profissional no Maracanazinho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que não quer mais presenciar situações constrangedoras no Rio. O aviso foi direcionado à ala do PT próxima do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, que pretende disputar com Cabral o governo do Rio em 2010.

 

"Precisamos parar com isso", disse Lula depois da festa, em conversa com um grupo onde estavam, entre outros, o ministro da Integração Racial, Edson Santos (PT), e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). Cabral não escondeu a irritação com Lindberg, a quem atribuiu a responsabilidade pelas vaias. Lindberg, que participou da cerimônia, nega qualquer movimento orquestrado por ele, mas insiste na candidatura própria do PT, com o argumento de que um segundo palanque vai beneficiar a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff.

 

"A vontade do presidente é que essas vaias acabem, não importa de onde venham. Ele não quer ir para o Rio e passar esse constrangimento", afirmou Edson Santos nesta terça-feira, 1. O ministro duvidou que Lindberg esteja por trás das hostilidades a Cabral e disse que o ex-governador Anthony Garotinho, recém filiado ao PR e também pré-candidato ao governo, "está organizando segmentos para dar combate ao governador Sérgio Cabral".

 

"Não se deve encontrar apenas no Lindberg a responsabilidade por essas vaias", afirmou Santos.

 

Em duas semanas, foi a segunda vez que Lula presenciou vaias ao governador em solenidades onde estava presente o prefeito de Nova Iguaçu. Nas duas vezes, o presidente saiu em defesa de Cabral. Segundo Edson Santos, o Lula não fez referência direta à decisão de Lindberg de se candidatar ao governo. O ministro disse que é preciso levar em conta que o prefeito "é uma liderança no Rio e na Baixada Fluminense". Mas reconheceu: "Enquanto as coisas estão indefinidas, esse mal estar é ruim para o PT. Todos nós ficamos incomodados. O presidente manifestou o descontentamento e acha que tem que ter um ponto final."

 

Edson Santos é favorável a uma aliança do PT e de outros partidos de esquerda com Cabral no primeiro turno de 2010, mas defende maior presença desse grupo no governo do PMDB. "Acompanho o presidente Lula na estratégia de construir uma aliança sólida PT-PMDB, que deve se repetir no Rio. Mas acho que deve haver um equilíbrio maior do PMDB com o PT no Rio. Aliança se faz no primeiro turno, no segundo turno é adesão. Agora a situação é de aliança e deve ser ampliado o espaço das forças de esquerda no governo Cabral", declarou.

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