Lula afirma que reforma política vai 'arrumar' País

Segundo presidente, mudança ajudaria a destravar outras reformas, como a trabalhista e a da Previdência

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2007 | 05h41

A reforma política é "imprescindível para arrumar o País", porque ela ajuda a destravar outras reformas, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso para uma platéia composta por muitos empresários, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Segundo Lula, as relações trabalhistas precisam ser "aperfeiçoadas" e a reforma da Previdência já está em discussão no fórum convocado para tratar do desequilíbrio crônico entre receita e despesa no pagamento das aposentadorias dos trabalhadores.Apresentando-se como líder de um governo que "não tem medo de discutir qualquer reforma", o presidente foi enfático ao defender a reforma política, depois de ter sido cobrado pelo representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB, d. Luiz Demétrio Valentini, mas ressaltou que o assunto é de inteira responsabilidade do Congresso."Reforma política é como reforma tributária, cada uma tem a sua", afirmou o presidente, insistindo na tese de que ela tem de ser conduzida pelo Congresso. Para ele, contudo, a moralização da política começa pelo financiamento publico de campanha. "Se nós quisermos moralizar, precisamos ter coragem de discutir o financiamento público de campanha. É mais barato, é mais fácil de controlar. E aí o cidadão eleito não fica devendo favor a ninguém." Lula defendeu também a reforma trabalhista, mas observou: "Não é possível continuarem de um lado os empresários querendo rasgar a CLT e fazer tudo de novo, e de outro os sindicalistas querendo manter a CLT e querendo acrescentar algo mais nela." IniciativaEm seu discurso, d. Demétrio afirmou que "o momento pede ação incisiva do presidente da República" e classificou de "indispensável" o envolvimento do Executivo no processo de convencimento do Congresso a votar a reforma política, já que ela interessa a toda a sociedade, mas especialmente ao governo. O representante da Pastoral da Terra também pediu ao presidente "iniciativa" para impulsionar essa reforma.A proposta acertada pelo CDES indica três eixos que precisam ser aperfeiçoados e fortalecidos: a democracia representativa, democracia direta e as relações claras entre os Poderes Executivo e Legislativo, em relação à questão do processo orçamentário, para acabar com as distorções na aplicação dos recursos e reduzir o risco de corrupção. Pede também o financiamento público de campanha e aprimoramento das regras para migração de partidos.

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