Lula afirma que quem não quer prorrogação da CPMF é sonegador

Em discurso, presidente faz ataque direto ao DEM, partido que fechou questão no Senado contra imposto do cheque

Fausto Macedo, COLATINA, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem em discurso que quem trabalha contra a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011 são os sonegadores. "Eles agora ficam com discurso de que é muito imposto. Na verdade, quem tem medo da CPMF é quem sonega imposto. Eles é que têm medo da CPMF, porque é o imposto que vai detectar quem é que está sonegando." Ouça o discurso de LulaLula atribuiu "vaidades pessoais e interesses menores" aos opositores e chamou publicamente para o confronto o DEM, partido ao qual se referiu pelo antigo nome. "Quem quer acabar com a CPMF? É o PFL, que torce todo santo dia para as coisas não darem certo neste país, porque eles governaram durante 500 anos e não conseguiram fazer o que o País queria que fosse feito." O DEM já anunciou que fechou questão sobre a CPMF e toda sua bancada no Senado vai votar contra a emenda que propõe a prorrogação.Em Colatina, no Espírito Santo, onde inaugurou de manhã uma ponte de 700 metros sobre o Rio Doce e um trecho de oito quilômetros da BR-259 - obra iniciada há 21 anos, que consumiu R$ 95,3 milhões -, o presidente cobrou os rivais. "O dinheiro da CPMF é para a saúde, para a aposentadoria de trabalhador rural e para o Bolsa-Família", declarou. "É para isso que serve a CPMF." Em 2008, a expectativa de arrecadação com o chamado imposto do cheque é de cerca de R$ 40 bilhões.No palanque, que incluiu dois senadores capixabas da base governista - Renato Casagrande (PT) e Gerson Camata (PMDB)- , além do governador Paulo Hartung (PMDB), o presidente conclamou o Senado a votar logo a prorrogação do imposto. "O Senado vai tomar uma decisão. Eu tenho a convicção de que eles (senadores) vão fazer, que eles vão votar."Na linha do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que ameaça suprir a eventual perda da CPMF com aumento de impostos e cortes de verbas de projetos sociais, o presidente condicionou a expansão e a modernização da rede pública de saúde e a de ensino à manutenção do imposto do cheque. "Eu tenho a convicção de que a aprovação da CPMF vai permitir a gente voltar a este Estado, inaugurar as escolas, inaugurar hospital, melhorar a saúde, a educação, e a gente vai poder devolver ao povo brasileiro o orgulho que nós nunca deveríamos ter perdido, o orgulho de sermos brasileiros com bê maiúsculo."O presidente cobrou enfaticamente parceria e colaboração dos governadores, não apenas para o duelo que trava pela sobrevivência do imposto do cheque, como também em outros projetos de seu governo. "Estamos pensando em fazer o que deveria ter sido feito há 20 anos ou há 30 anos. E é muito mais fácil a gente trabalhar, sendo presidente da República, com um governador que é parceiro e com deputados e senadores que são parceiros preocupados, até na apresentação das suas emendas para obras importantes para o Estado. É muito mais fácil do que a gente trabalhar com um governador que não quer conversa com o presidente, com deputado que não quer conversa com o presidente, pessoas que muitas vezes não estão dispostas a sentar para discutir."TUCANOSTranspirando muito dentro de um terno escuro, Lula também apontou sua ira para o PSDB e citou duas vezes o nome do antecessor, Fernando Henrique Cardoso, a quem imputou descaso e omissão com os capixabas. "Tivemos aqui um governador do PT, o Vitor Buaiz, meu grande companheiro, que comeu neste Estado o pão que o diabo amassou. O Vitor vivia em Brasília, acreditando que o presidente Fernando Henrique Cardoso iria ajudá-lo, e não ajudou. O Vitor não tinha dinheiro para pagar salário de funcionário, não tinha dinheiro para pagar o remédio gratuito, não tinha dinheiro para fazer as coisas e vivia acreditando que o Fernando Henrique Cardoso ia ajudar e não ajudou. E eu pensei que não ajudava porque era do PT. Depois, veio o José Inácio (ex-governador), que eu nem sei o que é que faz hoje, e o Espírito Santo faliu, o Estado quebrou. Essa é a verdade."Em busca de apoio em sua cruzada pela CPMF, o presidente fez elogios a Hartung e retomou as críticas aos que no Senado lutam contra a contribuição. "A parceria só é possível quando dois cidadãos, mesmo em cargos e esferas diferentes, são despojados de vaidades pessoais, de interesses menores, e começam a pensar o que é que podem deixar de benefícios para o povo. Aí a gente pode fazer muito mais", ressaltou, para elogiar Hartung. "Em vez de ficar procurando motivos para divergir, nós dois procuramos motivos para convergir."

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