Lula afirma que melhora da economia dificulta para oposição

'Isso está criando um certo embaraço para eles', ironizou o presidente em entrevista

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, Agência Estado

10 de junho de 2010 | 11h19

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 10, que a oposição está com dificuldade de fazer campanha eleitoral, diante da estabilidade econômica e da melhoria das condições do País. "Isso está criando um certo embaraço para eles", ironizou o presidente, em entrevista a uma emissora de rádio, em Aracaju (SE).

 

Lula lembrou que no lançamento do Plano Real ele, como oposição ao governo Fernando Henrique Cardoso, enfrentou situação semelhante. "Eu fiz oposição contra o Plano Real em 94. Era duro. O plano estava incrustado na cabeça do povo", lembrou o presidente, acrescentando que agora a economia está estabilizada, com o aumento do salário mínimo, a diminuição do desemprego e a melhoria das condições do País.

 

O presidente disse que considera normal a oposição dizer que falta isso ou aquilo, numa referência indireta à campanha do pré-candidato à presidência, José Serra. "Mas contra números não se discute", afirmou. "Temos números para debater. Só espero que eles (oposição) não façam uma campanha raivosa ou de baixo nível", destacou o presidente.

 

Esqueletos. O presidente disse que não vai deixar "esqueletos" para quem vier depois dele no governo. "Eu estou pagando esqueletos por causa do Plano Bresser e do Plano Verão. Não brincarei em serviço com isso. Não quero que quem venha depois de mim tenha que arranjar recursos para acertar as contas", afirmou o presidente.

 

Ele disse que está concluindo o orçamento de 2011, deixando "amarrados" os recursos para a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2), para que as obras tenham continuidade para o presidente que vier depois dele. "Quem ganhar as eleições, e eu espero que seja a minha candidata, não vai começar do zero. Quero que comece caminhando forte", afirmou.

 

Reajuste. Lula disse que ainda não decidiu se vetará ou não o aumento de 7,7% para as aposentadorias acima de um salário mínimo. Ele lembrou que tem até o dia 15 para tomar uma decisão. "Magistrado não se pronuncia fora dos autos. Eu vou analisar politicamente o que é bom para o Brasil e depois direi a minha decisão", afirmou o presidente, diante da insistência sobre o assunto, em entrevista a uma rádio de Aracaju (SE). " Em ano eleitoral é delicado colocar coisa para votar, porque os deputados ficam mais sensíveis. Há quem defenda que não deveria ser votado nada em ano eleitoral", disse o presidente, referindo-se aos últimos projetos aprovados pelo Congresso Nacional. Ele advertiu, no entanto que "quando há algum exagero eu veto".

 

O presidente reclamou que os parlamentares estão "carimbando" os recursos que serão destinados ao Fundo Social, que será criado com o pré-sal. "Daqui a pouco o governo não vai ter como fazer política social, porque está tudo carimbado. Tem gente que acha que votar benesse ajuda o eleitorado. Não ajuda. Não podemos perder a seriedade com a estabilidade econômica e com o crescimento sustentável", afirmou. Ele disse que governa o País como cuida de sua própria casa. E a título de exemplo disse que recusou um pedido do filho para uma viagem a Miami com os amigos da escola. "Da mesma forma que tenho coragem de dizer não ao meu filho vou dizer não quando precisar e não houver recursos para bancar determinados projetos", disse.

 

Mutirão do crack. Lula chamou de "praga, "uma espécie de peste bubônica" o consumo de crack no Brasil. O presidente disse que está fazendo um acordo com a Bolívia para controlar as fronteiras e que vai haver um "mutirão" "nunca antes visto" para combater a droga. Recentemente, o pré-candidato à Presidência da República da oposição, José Serra, afirmou que o governo boliviano é cúmplice da exportação de droga para o Brasil e defendeu uma fiscalização mais intensiva na fronteira, por parte do governo brasileiro. Lula não comentou as palavras de Serra.

 

Ele descartou a possibilidade de ocupar algum posto em organismos internacionais, quando terminar o mandato. Defendeu que o cargo de secretário geral da ONU deve ser ocupado por um burocrata para obedecer os chefes de estado, e disse que se tivesse que trabalhar no Banco Mundial faria concurso para o Banco do Brasil.

 

Sem ser claro sobre o seu futuro, Lula disse que vai continuar fazendo política, embora queira descansar um pouco quando terminar o mandato.

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