Lula afirma que Comissão da Verdade não é 'caça às bruxas'

Presidente lembrou que nem tudo que está proposto no Programa Nacional de Direitos Humanos se tornará lei

estadao.com.br,

15 de janeiro de 2010 | 12h46

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 15, que a criação da Comissão da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos, não pretende fazer uma "caça às bruxas" e disse que não há motivos para ter medo de apurar a verdade da história do País. As declarações foram feitas em entrevista à TV Mirante, do Maranhão.

 

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A criação de uma comissão especial para investigar casos de violação de direitos humanos durante a ditadura militar gerou desentendimentos entre representantes das Forças Armadas e a pasta de direitos humanos.

 

Na última segunda-feira, 11, o presidente Lula assinou um decreto criando um grupo de trabalho para tratar da criação da comissão e retirou do texto o termo "repressão política", que desagradava os militares.

 

"O que está criando caso é a Comissão da Verdade, ou seja, neste país não há porque ninguém ter medo de a gente apurar a verdade da história do Brasil. E você pode fazer com a forma tranquila e pacífica que nós estamos fazendo. Não se trata de caça às bruxas, trata-se apenas de você pegar 140 pessoas que ainda não encontraram os seus parentes que desapareceram, e que essas pessoas possam ter o direito de encontrar o cadáver e enterrar".

 

Lula lembrou que nem tudo que está proposto no Programa Nacional de Direitos Humanos se tornará lei. "Daquele resultado do plano de direitos humanos, uma parte daquilo pode ser transformada em lei, a outra parte fica no programa".

 

 

Durante a entrevista, o presidente esclareceu que em seu governo foram feitas 63 conferências nacionais, tais como de saúde, educação e direitos humanos, e que as diretrizes que compõem o programa foram amplamente discutidas nesses encontros.

 

"O que é importante é que as pessoas aprendam que quando você joga a sociedade para fazer um debate, você não pode fazer censura no debate na sociedade. No Brasil, algumas pessoas ainda têm medo, vêm com discurso da década de 20, vêm com discurso do regime autoritário, coisa que é inadmissível. Ninguém pode ter medo da democracia exercitada em sua plenitude".

 

Lula disse ainda que na democracia as pessoas falam aquilo que pensam e completou: "Depois se consegue construir o bom senso, que é o caminho do meio, que é sempre o que prevalece".

 

Na última segunda-feira, o presidente se reuniu com os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, para pôr fim aos desentendimentos em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos.

 

Com informações da Agência Brasil

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