Lula adota 'fórmula Hargreaves' e afasta cúpula da Abin

O presidente Luiz Inácio Lula da Silvadecidiu nesta segunda-feira afastar temporariamente toda acúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) até que ainvestigação sobre escutas telefônicas ilegais seja concluída. A decisão foi comunicada nesta segunda-feira à noite emnota assinada pela Secretaria de Comunicação da Presidência. Apesar do alto custo político, o governo decidiu sacrificara cúpula da Abin para evitar uma crise institucional, já que asdenúncias sobre os grampos atingiam os três poderes daRepública. O presidente tomou a decisão antes do início dasinvestigações que mostrarão se a agência foi de fato aresponsável pelas escutas ilegais. "Estamos diante de uma questão institucional, daí anecessidade de uma ação rápida", disse um ministro na condiçãodo anonimato. O governo adotou o que chamou de "fórmula Hargreaves" paratentar colocar um fim ao episódio e está disposto a reabilitara diretoria da agência se nada for comprovado. A expressão éuma referência ao ministro-chefe da Casa Civil do governoItamar Franco, Henrique Hargreaves, que foi afastado do cargoapós denúncias da CPI do Orçamento em 1993, e depois voltou aocargo. A investigação estará a cargo da Policia Federal e a Abintambém promoverá sindicância interna. Segundo fontes do Planalto, Lula está incomodado comgrampos e interceptações clandestinas há muito tempo. Outras medidas que constam da nota são o pedido para que oCongresso vote rapidamente projeto de lei encaminhado pelogoverno disciplinando o uso de grampos e para que o ministro daJustiça elabore junto com o Supremo Tribunal Federal (STF)proposta para tornar mais rígida a punição por uso de grampo. Denúncia publicada pela revista Veja, tendo como fonte umagente anônimo da Abin, acusa a agência de grampear telefonemasdo presidente do STF, Gilmar Mendes, de ministros do governoLula e de políticos da situação e da oposição. O Executivo segue na avaliação de que não há prova de"absolutamente nada", e, segundo fontes, o general Jorge Félix,ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional, declaroudiretamente ao presidente estar "convencido de que a Abin nãoparticipou do grampo". O general Félix colocou o cargo à disposição, mas aaceitação não foi cogitada em nenhum momento.(Reportagem de Natuza Nery)

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