Lula admite ?união de idéias? na coligação com PL

O pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, deixou claro nesta quarta-feira, depois de um jantar com a cúpula do PL, que o programa de governo da chapa petista será ajustado às idéias de seus eventuais aliados ? cuja lista inclui legendas tão diferentes quanto PCdoB, setores do PMDB e o PL.Representante da Igreja Universal do Reino de Deus na reunião, o deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ) elogiou a disposição do PT de negociar um projeto conjunto. ?Não é que o PT esteja mais liberal. É que agora o PT está se fazendo entender melhor pela sociedade?, afirmou ele.Dívida externaMas, até agora, quem cedeu foi o PL. Após o encontro realizado nesta terça-feira à noite, o PT conseguiu apoio dos liberais a algumas de suas propostas, como a renegociação da dívida externa. Nas diretrizes do programa de governo petista já divulgado, foi incluída a defesa de uma auditoria e renegociação da dívida externa pública, o que é previsto na Constituição de 1988 e nunca foi cumprido.Os comandos dos dois partidos marcaram um novo encontro, que deve ocorrer após a prévia do PT marcada para 7 de março, quando será escolhido o candidato ao Planalto. Segundo o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), os pontos básicos do projeto de governo não serão retirados da proposta.Desmentido?O caráter do programa não pode ser alterado, porque deixaria de ser o nosso programa?, declarou Dirceu, sem detalhar, no entanto, os pontos inegociáveis. Lula, porém, disse que não se constrói uma coligação sem união de idéias. ?Quando se faz um programa de governo, você é obrigado a aceitar as reivindicações dos partidos aliados?, disse ele, depois de tomar café da manhã com o senador José Alencar (PL-MG), cotado para candidato a vice na chapa encabeçada pelo petista. ?O programa não será do PT para o PT?, acrescentou.José Dirceu, que também participou do café da manhã, aproveitou para questionar reportagens publicadas pelo Estado e pelo jornal O Globo, nas quais afirma que o PT é um partido de centro. Em nota oficial, o deputado apresentou a seguinte explicação: ?Não afirmei em nenhum momento que o PT já não era um partido de esquerda. O que reafirmo e reitero é que o PT quer uma aliança com o centro, com base num programa aprovado no Recife e que permite essa aliança.??Abriu-se uma porta?Ao final do jantar, os dirigentes petistas e liberais saíram com o seguinte discurso: foi aberta uma ?porta? para a formalização da aliança PT-PL e é possível levar adiante a negociação sobre programa de governo, mas não há, por enquanto, nenhuma garantia de que essa união será consumada. ?O PL está tão próximo do governador Anthony Garotinho quanto do Lula?, afirmou Bispo Rodrigues. ?Vamos confiar em Deus sem preconceito?, disse José Alencar.Para Rodrigues, as chances de o PL ceder o senador para ocupar a vaga de vice na chapa do PT serão maiores, caso Garotinho não se ?viabilize? na disputa presidencial. Mas ele se disse satisfeito com o que ouviu de Lula e de José Dirceu: ?O PT é o partido que tem a melhor opção para combater a miséria no Brasil.?Crítica a TemerNo encontro, Rodrigues aproveitou para criticar os petistas contrários à aliança com o PL. ?É um absurdo que um deputado como Milton Temer (PT-RJ) não entenda que o PT, para chegar ao poder, tenha de fazer alianças com partidos fora do campo das esquerdas?, declarou. ?Ele só quer aparecer.?

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