Lula admite que eleição para Câmara será teste da coalizão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu em reunião com o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), nesta quinta-feira, que a eleição para a presidência da Câmara será o grande teste da coalizão do governo, conforme relato do deputado Nelson Trad (PMDB-MS), que participou do encontro. "A preocupação do presidente é que o resultado da eleição seja uma reposta concreta do Parlamento de apoio à coalizão", afirmou Trad. Segundo ele, Lula afirmou no encontro que é preciso evitar o "desastre" que ocorreu em 2005, quando o PT lançou dois candidatos ao cargo - Luiz Eduardo Greenhalgh e Virgílio Guimarães - e ambos perderam para Severino Cavalcanti (PP-PE).Lula, segundo Trad, não manifestou preferência por Aldo Rebelo (PC do B-SP) ou Arlindo Chinaglia (PT-SP), os dois candidatos ao cargo. "O presidente destacou que tanto Aldo como Arlindo têm estatura moral para representar o Parlamento. Em relação a Arlindo mencionou que o conhece há 30 anos. Já sobre Aldo elogiou sua lealdade", disse Trad. Vaga de ministroPara tentar evitar mais uma derrota para o governo e conseguir candidatura única, Lula deve oferecer um ministério em seu segundo mandato para aquele que desistir de disputar a presidência da Câmara. De acordo com o Estado, auxiliares do presidente negaram que se trate de prêmio de consolação.Mas Chinaglia negou nesta quinta-feira que no encontro da última quarta o presidente tenha oferecido um ministério para que um dos dois candidatos deixasse a disputa. Para ele, falar sobre isso nesse momento seria "passar recibo de que é derrotado". O petista também não acredita na preferência de Lula por Aldo, como vem sendo dito.Candidato alternativoNesta quinta-feira, o PSOL decidiu que quer um candidato alternativo. Nomes como o dos deputados Fernando Gabeira (PV-RJ), Raul Jungmann (PPS-PE), Luiza Erundina (PSB-SP) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) são cogitados para entrar na disputa. A deputada do partido, Luciana Genro, informou que na próxima semana haverá uma nova reunião, em São Paulo, para tratar do assunto. Terceira viaTambém ontem o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, reconheceu que a disputa entre Aldo e Chinaglia pode, mais do que ser um teste para o governo, fortalecer uma terceira via. "Eventualmente a disputa pode fortalecer uma terceira candidatura", admitiu o ministro. Tarso, porém, procurou minimizar a idéia de que o embate no Legislativo sirva para medir a coalizão do governo. "Todo o planejamento que nós fizemos da coalizão é para que ela funcione com os deputados novos, portanto, a partir de fevereiro." Tarso, responsável pela promoção na última quarta-feira de uma reunião, em separado, de Lula com Aldo e Chinaglia, afirmou que o presidente espera que até o dia 20 se tenha um mapeamento mais claro das candidaturas dos dois parlamentares. "Eu presumo que até o dia 20 os diálogos e aferições estarão terminados. Em um determinado momento vamos ter um juízo (sobre as candidaturas de Aldo e Chinaglia). Mas isso não vai significar apelo para a retirada de uma das candidaturas", afirmou o ministro. Com AE

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