Lula admite que é difícil debate sobre igualdade racial

Ao abrir nesta quarta-feira a 2ª. Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu a existência de um difícil debate nacional em torno do Estatuto da Igualdade Racial, mas afirmou que a discussão é boa e é fruto de um direito conquistado. Para uma platéia de duas mil pessoas de várias partes do mundo, artistas militantes e chefes de Estado de nações africanas, Lula afirmou que seu governo iniciou projetos com a intenção de reduzir a desigualdade."Todos nós temos uma dívida a pagar. Aqui, no Brasil, criamos a Secretaria Especial da Igualdade Racial, com o papel de ministro de Estado, para criar as possibilidades de termos alguns avanços, o que, muitas vezes, não acontece com a facilidade que gostaríamos. Às vezes demora muito para que as coisas aconteçam", afirmou. Lula citou o programa Universidade para Todos como uma das ações que funcionaram. Lembrou que, dos 203 mil alunos já selecionados para bolsas nas universidades, 63 mil são afro descendentes, porque o programa reserva parte das suas vagas para essa população. O presidente citou ainda o projeto de cotas nas universidades federais, que reserva metade das vagas para alunos de escolas públicas e, dentro dessas, parte para negros, de acordo com a distribuição de etnias em cada Estado. O presidente lembrou que há um duro debate sobre o assunto. Estatuto da Igualdade RacialNa semana passada, em entrevista ao Estado, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, informou que o governo queria debater mais o projeto do Estatuto, aprovado com seu apoio no Senado e agora esperando votação na Câmara. Tarso informou que o governo queria rever alguns pontos e pretendia defender mais cotas sociais - que levassem em conta a renda da pessoa - do que puramente raciais. Apesar desta posição, Lula evitou entrar em detalhes à platéia formada por militantes negros daqui e do exterior. Conferência de Intelectuais da África e da DiásporaO encontro em Salvador reúne, de hoje até a próxima sexta-feira, intelectuais e representantes dos movimentos negros de quase todos os Países africanos e da diáspora - a dispersão dos povos por motivos de perseguição - que, nesse caso engloba todos os Países que receberam escravos africanos. O primeiro encontro foi no Senegal, em 2004. Naquele ano, o Brasil foi convidado a sediar a segunda conferência por ter a maior população negra fora da África.

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