Lula admite dificuldade para integração regional no continente

Ao receber os presidentes das mais altas cortes dos países que pertencem ao Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que existem dificuldades em colocar em prática a integração regional no continente. "Quando assumi, diziam que o Mercosul era um problema. O Mercosul não era o problema, mas a política econômica equivocada dos países que integravam o Mercosul e isto tinha feito com que as pessoas desacreditassem na integração, no resultado destas política", comentou o presidente.No encontro Lula recebeu a Carta de Brasília, que criou um foro permanente de presidentes das cortes supremas do Mercosul e dos países convidados. Os juízes estão em Brasília discutindo a unificação de legislação, embrião de um futuro tribunal supranacional. Lula disse ainda que os integrantes do Executivo e do Judiciário "têm a responsabilidade de garantir que a América do Sul tenha uma chance" e que, se as três instâncias de Poder assumirem a responsabilidade de entendimento, essa integração será facilitada."Ficará mais fácil, inclusive, de convencer o parlamento, de fazerem leis relacionadas à integração com mais objetividade do que o que foi conseguido até agora", comentou o presidente. Lula fez um desafio a todos. "Se o século 19 foi o século da Europa, se o século 20 foi da América do Norte, por que não podemos almejar o século 21 para ser da América do Sul ou da América Latina?", afirmou.O presidente, bem humorado, aproveitou para fazer uma brincadeira com a representante do Judiciário argentino: "entre a gente só deve ter problema no futebol, apesar de o Corinthians estar comprando jogador do Boca Juniors". Certamente Lula não sabia, a esta altura, do incidente entre as Marinhas do Brasil e da Argentina, que participavam de um exercício, na costa do Rio de Janeiro, e que causou lesões em quatro militares brasileiros e um oficial argentino.Na saída do encontro, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nélson Jobim, defendeu que o poder judiciário entre no processo de integração. "A integração estava sendo gestada pelo Executivo, que tem esta função, o parlamento já estava participando do processo, mas o judiciário, não", comentou Jobim, ao lembrar que caberá ao Poder Judiciário a aplicação das diretivas do Mercosul dentro dos países integrante.

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