Lula adia encontro com PMDB por falta de quórum

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou o encontro que teria na quarta-feira com os novos deputados federais do PMDB, por falta de quorum. Até o início desta noite, o líder do partido na Câmara, Wilson Santiago (PB), não havia conseguido mobilizar sequer a metade dos 90 deputados. Além da dificuldade de contatar os 32 novatos que se elegeram em outubro, Santiago amargou os efeitos do apagão aéreo, agravado pelo número excessivo de passageiros que sempre lotam os aeroportos nas festas de fim de ano. A operação para adiar a reunião para o início de janeiro, logo depois das férias presidenciais de dez dias programadas por Lula, começou logo cedo. O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), telefonou para o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, e ponderou sobre a dificuldade dos parlamentares se deslocarem para Brasília, sobretudo dos nordestinos. "Não há nenhuma motivação política na iniciativa de adiar este encontro", explicou Geddel ao ministro. Segundo o deputado, a questão é meramente operacional. "Se eu for para Brasília, não volto a Salvador porque não tem vaga nos aviões a três dias do final do ano e eu não quero ficar longe de minha mulher e minhas filhas", explicou Geddel. Àquela altura, o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), também já havia informado o Planalto de sua ausência e chamado a atenção para o risco da falta de representatividade do encontro.Geddel argumentou, ainda, que não havia agenda política específica que justificasse a reunião. "Precisamos primeiro reunir a bancada e definir nossa posição em relação à presidência da Câmara. Aí, sim, deveremos ter uma audiência com o presidente da República para solidificarmos essa coalizão congressual", afirmou. Ele diz não ter dúvidas de que o líder do governo e candidato do PT a presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), tem o apoio da maioria do partido na sucessão da Casa, mas entende que é preciso fechar uma posição da bancada antes da reunião com Lula. Afinal, há também a ala que defende o apoio à reeleição do atual presidente, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e a tese da candidatura própria, ainda que improvável, não foi descartada.

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